sábado, 5 de dezembro de 2009

[abraços partidos]


Aproveitando o lançamento do novo filme de Almodóvar nos cinemas, reproduzo aqui o texto que escrevi na ocasião em que assisti-o, no Festival do Rio desse ano. Reprodução com algumas pequenas modificações, já que, de lá para cá, Abraços Partidos cresceu em minha memória.


Abraços Partidos
Los Abrazos Rotos, 2009
Pedro Almodóvar


Juro que esperava de Abraços Partidos o oposto do que ele realmente é. Havia imaginado um filme ultra-pretensioso, que investisse em um excesso de metalinguagem (por ter o próprio mundo do cinema como um de seus temas centrais), possuindo uma narrativa de difícil apreensão – o que, imaginei, talvez explicasse a recepção morna ao filme de Almodóvar. Pois o que vi foi justamente um trabalho extremamente simples, uma mistura de suspense ao estilo Brian De Palma (em alguns momentos é quase impossível não lembrar-se de Dublê de Corpo e Vestida para Matar) com algumas pitadas de comédia almodovariana, onde nada é difícil de se compreender, havendo até mesmo um excesso de clareza narrativa. E confesso que, nesse sentido, gostei do que vi. Abraços Partidos acabou sendo uma boa surpresa. Entretanto, o filme tem lá seus problemas, sendo a irregularidade o maior deles: se em seu início, com suas primeiras idas e vindas no tempo, tudo funciona maravilhosamente bem, lá pelo meio da história as coisas se perdem um pouco, e a resolução do triângulo amoroso apresentada por Almodóvar não deixa de ser um tanto decepcionante. Da mesma forma, tudo envolvendo o personagem Ray-X é tratado com pouco cuidado, e algumas revelações já próximas ao epílogo, feitas por Blanca Portillo, soam demasiadamente didáticas, forçadas, e mesmo melodramáticas (no caso da última delas, a seu filho). Apesar de ser um admirador do cinema de Almodóvar especialmente quando este assume um tom mais sério, a partir de Carne Trêmula (chegando a seu melhor trabalho em Fale com Ela), curiosamente, achei que nesse Abraços Partidos os grandes momentos ficam por conta do lado cômico do diretor – é o velho "jovem Almodóvar" dando sinais de vida, e lembrando-nos do quanto ele ainda sabe arrancar risos da platéia.

P.S.: É impressionante como, a cada dia que passa, Penélope Cruz não só evolui como atriz (especialmente quando atua em espanhol) como se torna mais e mais linda.

6 comentários:

Prissyrj disse...

Cara, desde Volver, que eu adorei, eu acompanho tudo que sai do Almodovar...esse eu ainda não vi, mas está dentre os primeiros da minha lista!
Com relação à Penélope, eu adoro ela. Não é só uma excelente atriz como, pra mim, é a mais bonita de hollywood!

bjss

Wallace Andrioli Guedes disse...

Então, Priscila, eu só acho que, até agora, a Penelope não fez nada realmente bom em Hollywood. Ou melhor, até fez bons filmes, mas suas atuações em inglês costumam ser pífias (ainda não vi o recente FATAL, por exemplo, mas em geral é isso que acontece). Já em espanhol, ela cresce monstruosamente. E o melhor exemplo disso é o filme PRESO NA ESCURIDÃO, do Amenábar, em que ela está muito bem. Na sua refilmagem norte-americana, VANILLA SKY, ela está muito mal, interpretando simplesmente o mesmo papel!
Quanto ao Almodóvar, é um grande cineasta, e vale a pena conhecer a fundo sua carreira. Para mim, seus melhores são FALE COM ELA e CARNE TRÊMULA.

thespotlessmindofwally disse...

Opiniões divergentes, mas minha vontade de ver só cresce. Sua crítica ajudou muito neste aspecto.

Rafael Carvalho disse...

Vejo certamente nas férias de final de ano.

CiNe ViTa disse...

"P.S.: É impressionante como, a cada dia que passa, Penélope Cruz não só evolui como atriz (especialmente quando atua em espanhol) como se torna mais e mais linda."

Eu não poderia concordar mais. Acho ela deve muito à Almodóvar, que serviu de mentor à ela.

Wallace Andrioli Guedes disse...

Sim, Wally, ela funciona incrivelmente nos filmes dele. Volver que o diga.