Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

[top 1o década 2000 - filmes indicados ao Oscar de melhor filme]

Deixe-me explicar esse post. Estamos chegando ao fim de uma década, a primeira do novo século. E, obviamente, no final desse ano se multiplicarão as listas de melhores filmes dos últimos dez anos, e eu, aqui no Crônicas Cinéfilas, publicarei certamente a minha. No entanto, antes da grande lista do final do ano, lançarei, com periodicidade ainda não definida, algumas pequenas listas, mais especificas. E a primeira é essa aqui, com os 10 melhores filmes da década indicados ao prêmio principal do Oscar. Ou seja: não estou incluindo aqui a cerimônia de 2000, que premiou filmes de 1999, e nem aguardarei a próxima cerimônia, referente aos filmes de 2009 (até porque, como uma mudança importante será introduzida na caregoria principal, acho que faz sentido "encerrar" um ciclo, e deixar de lado os 10 indicados do ano que vem). Enfim, é isso.



10- Sobre Meninos e Lobos
Mystic River, 2003


9- O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei
The Lord of the Rings: The Return of the King, 2003


8- O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel
The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, 2001


7- Gangues de Nova York
Gangs of New York, 2002


6- Munique
Munich, 2005


5- Os Infiltrados
The Departed, 2006


4- Menina de Ouro
Million Dollar Baby, 2004


3- Sangue Negro
There Will be Blood, 2007


2- Onde os Fracos Não Têm Vez
No Country for Old Men, 2007


1- O Segredo de Brokeback Mountain
Brokeback Mountain, 2005


Sábado, 4 de Julho de 2009

[loki - arnaldo baptista]

Loki - Arnaldo Baptista
Loki - Arnaldo Baptista, 2008
Paulo Henrique Fontenelle


Arnaldo Baptista é, assim como Wilson Simonal, protagonista de outro recente documentário, mais um músico de imensa importância na música popular brasileira que é redescoberto graças ao cinema. É lógico que as trajetórias dos dois são muito diferentes, o que faz com que o tom dos filmes seja também diverso (enquanto em Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei, havia um forte sentimento de culpa, uma tentativa de reparar o passado e resgatar o cantor, em Loki, há um tom otimista de recomeço, até pelo fato de Arnaldo Baptista estar ainda vivo, e recuperando-se de todos os percalços de sua vida), mas ambos tiveram suas carreiras quase que completamente destruídas, em muito por suas próprias atitudes, e acabam sendo, agora, recuperados, e novamente valorizados.
O curioso é que a vida de Baptista, muito menos controversa do que a de Simonal, gere um filme bastante superior ao documentário de Cláudio Manoel, Micael Langes e Calvito Leal. Sem grandes polêmicas políticas para tratar, o diretor Paulo Henrique Fontenelle mergulha numa atmosfera intimista (próxima à do disco que dá título ao documentário), nas angústias pessoais de Baptista, e acaba entregando um retrato tocante e delicado de um homem derrotado pelos excessos (de amor, de drogas), mas que possui uma relevância musical que provavelmente a maioria de nós, brasileiros, não somos capazes de mensurar (e, nesse sentido, a idolatria aos Mutantes e à Baptista no exterior mostrada por Fontenelle é sintomática, com alguns ingleses chegando a declará-los melhores do que os Beatles!). Loki é uma grande homenagem à Arnaldo Baptista, e, no caminho, acaba sendo também um pedido de desculpas do músico àqueles que ele acabou por magoar, especialmente sua ex-esposa e companheira musical Rita Lee. O relacionamente do casal, aliás, se torna um dos pontos mais instigantes, e emocionantes, do filme, já que parece haver ali um ressentimento absurdamente grande, que faz com que Rita se recuse tanto a dar qualquer entrevista sobre Baptista ou sobre esse assunto, quanto a reunir-se novamente com sua antiga banda - e sua ausência é profundamente sentida em Loki. E o pedido de desculpas de desculpas de Baptista a ela é de cortar o coração.
Outro ponto que trabalha a favor do filme é a própria figura do seu protagonista. Os efeitos do uso prolongado de drogas e, principalmente, de uma tentativa de suicídio sobre Arnaldo Baptista fazem com que ele surja na tela como um homem extremamente fragilizado, algo ressaltado por seu modo de falar, quase infantil. É difícil não se apaixonar por aquele sujeito, não se encantar por sua história e sua obra, e não ficar aliviado pelo fato de ele ainda estar vivo, e, novamente, feliz (e trabalhando, com música e pintura). Ver Baptista falando, especialmente após conhecer sua trajetória, gera uma irresistível vontade de se aproximar dele, abraçá-lo, e agradecê-lo não só por tudo que fez pela música, mas principalmente pela lição de vida que é a sua própria vida. Arnaldo Baptista mora, atualmente, em Juiz de Fora, minha cidade. Quem sabe não concretizo esse desejo qualquer dia desses?

Domingo, 28 de Junho de 2009

[jean charles]

Jean Charles
Jean Charles, 2009
Henrique Goldman


Me parece que, ao filmar a história do brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com um terrorista e morto covardemente pela polícia inglesa em 2005, o diretor Henrique Goldman teria duas opções de foco narrativo: ou construía um thriller político, um filme-denúncia contra a atitude dos policiais ingleses e a não-punição destes até os dias de hoje (lá se vão 4 anos desde o ocorrido...), ou buscava um lado mais humano na história, indo além da biografia do personagem-título e focando no cotidiano dos imigrantes brasileiros em Londres. Goldman optou pela segunda, e acertou em cheio.
Também um brasileiro habitante da capital inglesa, o diretor demonstra enorme desenvoltura ao filmar o dia-a-dia daquelas pessoas, criando um painel delicado, ao mesmo tempo melancólico e bem-humorado, das condições em que vivem. Selton Mello acaba também se revelando um grande acerto: o ator (reconhecidamente talentoso, mas sofrendo de uma certa superexposição no cinema brasileiro atual), consegue ir além de sua típica caracterização de personagens simpáticos e engraçados, fazendo de seu Jean Charles uma figura um tanto verdadeira, absurdamente carismática sem que sua presença soe forçada. Se se imaginava que a escolha do ator para o papel poderia torná-lo "maior" que o retratado, fazendo-nos esquecer do verdadeiro Jean Charles, o que acaba ocorrendo é justamente o contrário, com Selton se colocando em uma posição extremamente respeitosa, de certa forma deixando seu talento dramático à serviço daquela trágica história e daquele trágico homem (Jean Charles de Menezes e sua vida são, em Jean Charles, sempre maiores, mais importantes, do que a interpretação de Selton Mello). E vale dizer também que a presença sempre graciosa da apaixonante Vanessa Giácomo também ajuda, e muito, tanto o desempenho do protagonista (já que o casal exibe uma ótima química em cena) quanto o filme em geral.
No entanto, como era de se imaginar, Jean Charles possui lá seus problemas. Se na maior parte do tempo a narrativa flui muito bem, sem nenhum grande tropeço (por mais que algumas presenças de não-atores chegue a incomodar em alguns momentos), quando esta dá a grande guinada, com a saída de Selton de cena e a consequente mudança de tom (não havendo mais espaço para bom-humor), o filme cai ladeira abaixo. Primeiramente, a própria cena do assassinato de Jean Charles é mal filmada, com uma estranha e despropositada câmera subjetiva, que acaba diminuindo o impacto do ocorrido. E, em seguida, há uma série de cenas passadas no Brasil que são bastante ruins. Daniel de Oliveira faz uma desnecessária e boba participação especial, e Jean Charles aproxima-se de um incômodo tom melodramático (por mais que, na sequência da visita das autoridades inglesas à família da vítima, a reação do personagem do ótimo Luís Miranda acabe por soar verdadeiramente comovente). Felizmente, porém, o que fica no final, é a sensação de que Goldman obteve êxito, ao optar por um filme de pequena escala, nada inovador, mas profundamente sincero. Sem dúvidas, poderia ser melhor, mas as recentes experiências de nosso cinema com filmes biográficos mostra que também poderia ser pior. O saldo, portanto, é positivo.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

[garotos de programa]

Garotos de Programa
My Own Private Idaho, 1991
Gus Van Sant


Como se poderia desconfiar, vindo de alguém como Gus Van Sant, Garotos de Programa é muito mais do que seu pouco criativo título brasileiro tenta mostrar. É sim sobre garotos de programa "ganhando a vida", mas é principalmente um filme sobre a busca por um lugar no mundo (como, aliás, boa parte dos filmes do diretor), um mundo que simplesmente parece não te querer, a não ser para, de forma hipócrita, usufruir de seus dotes sexuais. E é também um filme de amor. E dos mais belos.
E não deixa de ser curioso, e triste, que os protagonistas de duas das mais belas histórias de amor homossexual que o cinema já produziu, River Phoenix e Heath Ledger, tenham morrido absurdamente jovens, e deixando justamente nesses filmes talvez a maior prova de seus gigantescos talentos. Assim como Ledger em Brokeback Mountain, Phoenix rouba a cena aqui. Por mais que Keanu Reeves tenha o mesmo destaque na narrativa, é do ator de Conta Comigo que vem o desempenho mais delicado e comovente, uma interpretação carregada de sutileza, na construção de um personagem insuportavelmente triste, mesmo em seus momentos de alegria. O Mike Waters de Phoenix é trágico a sua própria maneira, e me pergunto se a doença que carrega (narcolepsia) não representaria, ainda que ele não se dê conta disso, momentos de alívio para a dura realidade de sua vida - afinal, quando dorme, Mike sonha com uma infância feliz, com a presença de uma mãe carinhosa, algo que de fato não ocorreu.
Gus Van Sant é um sujeito que, claramente, se sai melhor quando mergulha em seu lado indie do que quando abraça um cinema mais "clássico" (ainda que Gênio Indomável e Milk sejam dois filmes que adoro), e Garotos de Programa, que foi seu terceiro longa-metragem, deixa essa característica bem ressaltada. É um filme nada convencional, onde Van Sant aposta em uma narrativa elíptica, em que tempo e espaço são atravessados pelos personagens sem que o espectador perceba isto com clareza (a não ser pelas chamadas com os nomes das cidades que aparecem na tela), em cenas inusitadas (me parece um toque de genialidade a maneira como o diretor filma as sequências de sexo) e em personagens que fogem de qualquer padrão de normalidade. E é curioso como isso se torna fundamental não só para o realce da marginalidade daquelas figuras, mas também para a identificação delas com quem assiste ao filme (e talvez o estranhíssimo e adorável Bob, vivido por William Richert, seja o melhor exemplo disso). E fica a dúvida se Garotos de Programa não seria, em certa medida, um elogio à marginalidade. Triste, melancólico, amargo. Mas ainda assim, um elogio. Em se tratando do cinema de Gus Van Sant, é bem possível que sim.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

[a festa da menina morta]

A Festa da Menina Morta
A Festa da Menina Morta, 2008
Matheus Nachtergaele



É sob grande influência do cinema feito por um grupo de realizadores nordestinos (Cláudio Assis, Lírio Ferreira, Hilton Lacerda, Sérgio Machado, Marcelo Gomes, Karim Aïnouz) que Matheus Nachtergaele promove sua estreia na direção de longas com esse A Festa da Menina Morta. Falta, entretando, ao estreante, o talento narrativo e a força dramática que estes costumam imprimir a seus filmes: A Festa da Menina Morta é uma obra um tanto irregular, que tem uma excelente premissa que acaba sendo subaproveitada.
Em primeiro lugar, o filme depende excessivamente de seu protagonista, uma figura bizarra, interpretada com brilhantismo por Daniel de Oliveira. O ator está excepcional, naquele que talvez seja seu melhor desempenho desde Cazuza, a ponto de fazer com que um sujeito repugnante como Santinho (histérico, egoísta, egocêntrico) se torne absurdamente fascinante - vê-lo em cena é, ao mesmo tempo, um misto de sofrimento e prazer. No entanto, Nachtergaele parece hipnotizado em demasia pela interpretação de seu protagonista e acaba se esquecendo do resto do filme. Exagero meu, mas, de alguma forma, tudo parece estar pela metade em A Festa da Menina Morta. Algumas cenas são excessivamente gratuitas (confesso que a aparição da personagem de Cássia Kiss continua um enigma para mim), atores reconhecidamente talentosos são desperdiçados em personagens sem nenhuma expressão (além de Kiss, há Dira Paes num papel pequeno demais, sem nenhuma importância, e Paulo José fazendo sabe-se lá o quê), e questões que pareciam importantes para o desenrolar da história são simplesmente esquecidas a partir de certo momento - o exemplo mais significativo nesse sentido diz respeito ao personagem de Juliano Cazarré, portador de um elemento de conflito no filme, capaz de implodir toda aquela situação, mas que, sem nenhuma explicação, parece simplesmente deixar de lado suas angústias e inquietações (o que, a meu ver, é uma falha de Nachtergaele, que parece não saber como conduzir aquele conflito iminente, e decide por abandoná-lo).
Talvez possa-se argumentar uma opção do diretor por deixar coisas em aberto, por evitar respostas prontas, visões acabadas sobre a temática abordada - o que até faria um certo sentido, já que, por mais que seu olhar sobre a religiosidade daquelas pessoas seja altamente crítico, em determinados momentos, especialmente quando filma de maneira belíssima a festa da menina morta propriamente dita, Nachtergaele demonstra uma certa admiração pela força daquela crença, abrindo espaço para um bem-vinda dubiedade no filme. No entanto, me parece que há um certo limite para essa opção: o que falta a A Festa da Menina Morta é um pouco mais de coerência e cuidado na construção da narrativa. A Matheus Nachtergaele, o diretor, talvez falte experiência mesmo.





P.S.: não sei se o problema é do filme ou do cinema em que o assisti, mas o fato é que, devido à baixa qualidade do som, em inúmeros momentos o que os personagens diziam se tornou absolutamente inaudível. Às vezes acho que os filmes brasileiros deveriam ser exibidos com legendas nos cinemas...

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

[o exterminador do futuro: a salvação]

O Exterminador do Futuro: A Salvação
Terminator Salvation, 2009
McG


Parece mentira, mas fui ao cinema cheio de fé assistir a um filme de McG. É que gosto bastante da série O Exterminador do Futuro (na verdade, adoro os dois primeiros filmes, e simplesmente suporto o terceiro), e confesso ter me deixado enganar pelos ótimos trailers dessa quarta parte, e me empolgado com a possibilidade de, pela primeira vez, vislumbrar com maior profundidade o tão propagado (pelos filmes anteriores) futuro apocalíptico sob o domínio da SkyNet. O resultado, no entanto, é muito irregular, e um tanto frustrante.
Em sua primeira metade, O Exterminador do Futuro: A Salvação não passa de um amontoado de cenas de ação, explosões e efeitos especiais grandiosos. O que não deixa de ser uma contradição: se McG acerta ao adotar um visual sujo, granulado, próprio de filmes de ação e/ou de guerra feitos recentemente e que dá ao longa um aspecto "realista" até então inédito na série, por outro lado ele cria sequências tão exageradas, que qualquer pretensão de realismo vai por água abaixo rapidamente. Com Christian Bale, surpreendentemente, aparecendo pouco nessa primeira metade, T4 joga todos os dados em Sam Worthington para segurar as inúmeras sequências de ação, e o resultado é um tanto cansativo (para os olhos, para os ouvidos, e para o bom gosto cinematográfico) e repetitivo.
Curiosamente, é quando os personagens de Worthington e Bale finalmente se encontram, quando se exige um pouco mais dramaticamente da dupla de atores, que o filme cresce. E cresce bastante. O primeiro diálogo entre a dupla, numa cena reveladora, é ótimo (a cena como um todo, na verdade, é muito boa). Bale mostra ter sido uma escolha acertada para interpretar John Connor, e Worthington consolida a força trágica de seu personagem. Daí até o final, a relação que se estabelece entre essa duas figuras é um tanto interessante, quer dizer, ao menos até a solução final encontrada por McG, piegas, clichê e irritantemente absurda. Aqui, novamente, o diretor contradiz o tom sério que parece pretender adotar no filme ao fazer uma opção exagerada e, nesse caso, melodramática.
Infelizmente, os escorregões não param por aí: há ainda uma trupe de coadjuvantes subaproveitados (me pergunto, primeiramente, o que está acontecendo com Bryce Dallas Howard, aquela mesma jovem e talentosa atriz que fez A Vila e Manderlay, e, em segundo lugar, o que Michael Ironside está fazendo no filme, interpretando de forma séria exatamente o mesmo tipo de personagem satirizado no cada vez mais atual Tropas Estelares) e uma irritante e inacreditável aparição meio Deus ex-machina de Helena Bonhan Carter no epílogo, para explicar, passo a passo, os planos vilanescos da SkyNet e os segredos da trama vista até ali para um dos "heróis". Esse é o tipo de solução narrativa que só serve para atestar a imensa falta de criatividade e talento de McG, sua incapacidade em tornar claro o que está acontecendo em seu filme de maneira orgânica, sem precisar apelar para um momento no qual tudo é interrompido, para que alguém possa fazer um discurso explicativo. No final, só resta a óbvia conclusão de que James Cameron está fazendo falta. E muita.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

[trailer: shutter island]

Finalmente saiu o trailer do novo filme de Martin Scorsese, Shutter Island, que se chamará no Brasil, como ocorrera com o livro no qual se inspira, Paciente 67. Como havia dito em um post anterior, li o livro de Dennis Lehane, e não consegui gostar tanto quanto imaginei que gostaria. No entanto, minha crença no cinema de Scorsese é grande demais para desanimar de um filme seu simplesmente pelo fato de o material original não ser tão bom.




Pois bem. Visto o trailer, a impressão que fica é que o diretor faz bom uso de todos os psicologismos da história de Lehane para realizar um estudo de personagem, como já imaginava.

E o resultado parece ser um filme tenso, sufocante, com alguns momentos sinistros. Fiquei com a impressão de que Scorsese se aproveita muito bem da relação traumática entre os personagens de DiCaprio e Michelle Williams, para criar cenas que aparentam ser comoventes, talvez o ápice do filme.

Mas, ainda assim, fica a impressão de que o que virá será uma obra menor na filmografia de Scorsese. O trailer apela claramente para o suspense puro e simples (onde o cineasta não tem lá muita experiência), inclusive para alguns clichês do gênero. Nesse sentido, pelas cenas mostradas, Scorsese parece se sair razoavelmente bem, criando momentos de bastante tensão, como já disse - o problema é que as palavras razoavelmente e Scorsese na mesma frase não combinam muito. E no elenco, ao menos nesse primeiro olhar, ninguém parece realmente se destacar. Mas, vale lembrar, Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo têm ótimos personagens em suas mãos, e é bem possível (e provável), que o resultado final seja melhor do que o que se viu até agora. Até porque DiCaprio vem rendendo cada vez mais nas mãos de Scorsese. Dos coadjuvantes, quase todos têm pouco tempo em cena (ao menos no livro), e aquele que aparece um pouco mais, não é um personagem verdadeiramente grande, e será interpretado por um Ben Kingsley que, aparentemente, está no "piloto automático".
Enfim, pareço bastante pessimista, mas a verdade é que ainda estou ansioso com o filme. E ainda acho que meu diretor favorito pode me surpreender positivamente, e me fazer "queimar a língua". Agora é aguardar até o dia 09 de outubro, quando Paciente 67 chega aos cinemas brasileiros.