terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Piores indicados ao Oscar de melhor filme na década atual



10- O Discurso do Rei


9- Estrelas Além do Tempo



8- Philomena



7- Histórias Cruzadas


6- Os Miseráveis



5- O Quarto de Jack



4- Tão Forte e Tão Perto


3- O Jogo da Imitação


2- A Teoria de Tudo


1- Lion

 


sábado, 6 de janeiro de 2018

The Square - A Arte da Discórdia



“Nunca houve um vencedor da Palma de Ouro assim”, diz o trecho de uma crítica do USA Today que estampa o cartaz de The Square – A Arte da Discórdia, de Ruben Östlund. O efeito buscado com essa chamada é, claro, remeter à ousadia supostamente presente no filme, laureado com o prêmio principal no último Festival de Cannes. No entanto, The Square é o oposto disso. Trata-se de um típico cinema médio europeu, que costuma preencher as seleções oficiais dos festivais do continente e causar nas salas mais arthouse, com seu verniz de sofisticação utilizado para criticar aspectos mesquinhos da tal natureza humana.

Tudo em The Square é bastante óbvio. A começar pela abordagem irônica da arte contemporânea, construída com comentários/situações esperados por qualquer um que já leu algum livro introdutório sobre o tema: a brincadeira com o faxineiro do museu que recolhe uma obra de arte acreditando se tratar de lixo; o questionamento sobre a transformação de um objeto cotidiano em arte a partir de seu mero deslocamento para o espaço do museu; a extrapolação dos limites do bom gosto em uma performance etc. Mas a coisa piora quando Östlund se dedica ao que realmente lhe interessa: apontar a hipocrisia de seu protagonista (Claes Bang), um bem-sucedido curador que se revela arrogante e insensível às privações daqueles que o cercam, ainda que portador de um discurso superficialmente humanista.

Aqui, o diretor acredita estar fazendo uma crítica social foda ao colocar seu personagem negando ajuda a mendigos ou se indignando além do ponto ao ser furtado. Nesse último caso, aliás, Östlund até consegue criar uma situação interessante a partir das consequências de uma ação extrema do sujeito, mas a possibilidade de aprofundamento nela acaba atropelada pelo excesso de frentes narrativas do filme. Sai de cena a sutileza potente de Força Maior (2014) e entra uma necessidade tola de se autoatribuir algum tipo de consciência social baseada num irritante senso comum arthouse, que ataca as elites intelectuais ao mesmo tempo que as bajula com um estranhamento controlado, mantido estritamente dentro de seus padrões de bom gosto, evitando, assim, agredi-las frontalmente.

Os melhores momentos de The Square são aqueles que funcionam quase como esquetes, com relativa independência entre si e do todo narrativo: o happening do homem-macaco e a conturbada entrevista de um celebrado artista plástico (Dominic West), por exemplo. Östlund entende de pequenos momentos performáticos, algo já explicitado em seu impagável vídeo de reação à não indicação de Força Maior ao Oscar.   

Sobre Cannes, por fim, The Square é mais uma Palma confortável, preguiçosa, disfarçada de corajosa, de atual – como o foram as duas anteriores, Dheepan (2015) e Eu, Daniel Blake (2016). A rigor, e por mais que A Árvore da Vida (2011), Azul é a Cor Mais Quente (2013) e Sono de Inverno (2014) sejam grandes filmes, o último rompante de real ousadia do festival foi ao premiar, sob a batuta de Tim Burton, Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), de Apichatpong Weerasethakul.


The Square - A Arte da Discórdia 
The Square, 2017
Ruben Östlund

sábado, 30 de dezembro de 2017

Os melhores filmes de 2017

Esses são meus dez filmes favoritos de 2017.



No Letterboxd, o ranking com todas as estreias do ano que consegui ver, nos cinemas ou por outros meios.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Filmes superestimados de 2017


Estes não são filmes necessariamente ruins. Pelo contrário, até. Mas todos eles foram excessivamente louvados, acima do que mereciam. Por vezes, inclusive, ganhando prêmios importantes, como uma Palma de Ouro em Cannes e melhor direção nesse mesmo festival. Superestimados, enfim. São eles, por ordem de lançamento nos cinemas brasileiros: 


Eu, Daniel Blake, de Ken Loach


Logan, de James Mangold


O Estranho que Nós Amamos, de Sofia Coppola


Bingo - O Rei das Manhãs, de Daniel Rezende


Star Wars - Episódio VIII: Os Últimos Jedi, de Rian Johnson 



terça-feira, 31 de outubro de 2017

31 anos, 31 filmes


Em 2016, ao completar 30 anos de idade, publiquei aqui no blog um ranking com meus 30 filmes favoritos lançados desde 1986, ano em que nasci. A partir de agora, transformo esse ranking em permanente, anualmente atualizado (e sempre acrescido de mais uma vaga). A ideia é também acompanhar um pouco a evolução da minha cinefilia, conforme busco contato com novas cinematografias e, claro, revisito filmes queridos ou subestimados por mim no passado. A lista que apresento agora, por exemplo, já vem bastante marcada por meu recente contato com o novo cinema taiwanês, sobretudo com as obras de Edward Yang e Hou Hsiao-Hsien. Esses são, então, meus 31 filmes favoritos dos últimos 31 anos:


31- Caché
Caché, 2005
Michael Haneke


30- Gran Torino

Gran Torino, 2008
Clint Eastwood


29- Felizes Juntos

Chun Gwong Cha Sit, 1997
Wong Kar-Wai


28- Cópia Fiel 
Copie Conforme, 2010
Abbas Kiarostami


27- Fogo Contra Fogo

Heat, 1995
Michael Mann


26- A Fraternidade é Vermelha

Trois Couleurs: Rouge, 1994
Krzysztof Kieslowski



25- Encontros e Desencontros
Lost in Translation, 2003
Sofia Coppola



24- Elefante

Elephant, 2003
Gus Van Sant


23- Onde os Fracos Não Têm Vez
No Country for Old Men, 2007
Ethan Coen e Joel Coen


22- O Silêncio dos Inocentes
The Silence of the Lambs, 1991
Jonathan Demme


21- Além da Linha Vermelha
The Thin Red Line, 1998
Terrence Malick


20- Um Olhar a Cada Dia

To Vlemma Tou Odyssea, 1995
Theo Angelopoulos


19- Drácula de Bram Stoker

Bram Stoker's Dracula, 1992
Francis Ford Coppola


18- Nascido para Matar

Full Metal Jacket, 1987
Stanley Kubrick


17- Los Angeles - Cidade Proibida
L.A. Confidential, 1997
Curtis Hanson


16- De Olhos Bem Fechados
Eyes Wide Shut, 1999
Stanley Kubrick


15- Millenium Mambo

Millenium Mambo, 2001
Hou Hsiao-Hsien



14- Estrada Perdida
Lost Highway, 1997
David Lynch


13- A Cidade das Tristezas

Beiqíng Chéngshì, 1989
Hou Hsiao-Hsien



12- Os Terroristas

Kong Bu Fen Zi, 1986
Edward Yang



11- O Jogador
The Player, 1992
Robert Altman


10- As Coisas Simples da Vida

Yi Yi, 2000
Edward Yang



9Showgirls

Showgirls, 1995
Paul Verhoeven


8- O Poderoso Chefão 3
The Godfather - Part III, 1990
Francis Ford Coppola


7- Cidade dos Sonhos
Mulholland Drive, 2001
David Lynch


6- Titanic
Titanic, 1997
 James Cameron


5- Os Bons Companheiros
Goodfellas, 1990
Martin Scorsese


4- Asas do Desejo
Der Himmel über Berlin, 1987
Wim Wenders


3- Pulp Fiction - Tempo de Violência
Pulp Fiction, 1994
Quentin Tarantino


2- O Sacrifício
Offret, 1986
Andrei Tarkóvski


1- Os Imperdoáveis
Unforgiven, 1992
Clint Eastwood


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

It: A Coisa


Faz bastante sentido que It: A Coisa, um dos livros mais celebrados de Stephen King, enfim ganhe uma adaptação cinematográfica em 2017 (a conhecida versão audiovisual anterior, protagonizada por Tim Curry, foi na verdade produzida como minissérie para a TV americana). O imenso sucesso de Stranger Things no ano passado, tendo como uma de suas matrizes justamente a literatura de King, parece ter indicado o tom a ser adotado nesse aguardado filme: foco na dinâmica entre os personagens adolescentes deslocados do mundo adulto e do mainstream escolar, em seus medos e angústias e no senso de aventura que os move diante do extraordinário, recuperando certo espírito oitentista que remete a Conta Comigo (aliás, também inspirado num conto de King) e às produções da Amblim Entertainment (como E.T., Os Goonies e Poltergeist); o horror usado como contraponto trágico a esses sentimentos, como meio de iniciação brutal na vida adulta.

Dirigido por Andy Muschietti, do irregular Mama, It utiliza com precisão esses elementos. O Loosers Club formado por seus protagonistas é a força principal do filme, espaço de produção de empatia, humor e alguma dose de drama. Vem daí os melhores momentos de It, com os garotos e a garota se conhecendo, tirando sarro uns dos outros, construindo um comovente círculo de proteção mútua contra a brutalidade do mundo externo.

O horror, por sua vez, é o elo fraco da narrativa, ou ao menos não é tão forte quanto prometia ser. As aparições de Pennywise (Bill Skarsgard), ao longo da primeira hora, para cada um dos protagonistas soam episódicas e forçadas: sem maior organicidade ou lógica, elas existem simplesmente para que todos eles possam compartilhar, numa determinada cena, suas respectivas experiências com o palhaço demoníaco. Muschietti também falha na criação de um clima verdadeiramente macabro, opressivo, quando a trama pede isso dele. Se visualmente seu filme, inclusive no uso de alguns efeitos de CGI, se assemelha ao cinema de James Wan, no aspecto anteriormente citado It passa longe de obter os resultados de um Invocação do Mal, por exemplo. E o próprio Pennywise parece subaproveitado em sua condição circense, sendo, durante quase todo o tempo, puramente um monstro, desprovido do senso de humor cruel que se poderia esperar de tal figura – são poucas as cenas nas quais Skarsgard deixa vir à tona essa característica.

Mas talvez o que mais incomode seja a falta de atenção do filme para a dor que atravessa a fictícia cidade de Derry, diante da tragédia dos sucessivos desaparecimentos de crianças. Há um momento em que um dos protagonistas observa a sobreposição de cartazes dessas crianças desaparecidas e comenta que é como se elas fossem sendo esquecidas, substituídas nas preocupações locais pela vítima mais recente. Trata-se de uma bela reflexão, no entanto, It acaba assumindo postura semelhante com seus personagens tidos como menos importantes, já que, com exceção do irmão de Bill (Lieberher), as vítimas de Pennywise vão se acumulando na história sem que o espectador saiba qualquer coisa sobre elas ou realmente lamente seu destino.



It: A Coisa 
It, 2017
Andy Muschietti