[capitão américa: o primeiro vingador]
Capitão América: O Primeiro Vingador 

Captain America: First Avenger, 2011
Joe Johnston


Apesar de ter uma vaga, e negativa, lembrança de ter assistido em minha infância o desastroso filme do Capitão América lançado no início da década de 1990, mantinha, há algum tempo, o interesse em reencontrar o personagem em uma grande produção, com qualidade técnica e narrativa, e elenco respeitável. Capitão América: O Primeiro Vingador é, ou deveria ser, a concretização desse interesse. Mas Joe Johnston ficou no meio do caminho - é o que dá contratar um cineasta apenas razoável para comandar um filme que poderia, dentro de suas limitações, ser ótimo.
O filme, na verdade, tem alguns acertos. O maior deles é ser fiel à origem do personagem, mantendo-o na década de 1940, no contexto da Segunda Guerra Mundial - é um momento em que fica muito mais fácil se identificar com um herói que carrega em seu uniforme a bandeira dos Estados Unidos, e o roteiro ainda brinca de maneira criativa com isso, justificando através da propaganda de guerra a escolha por tal uniforme (naquelas que são, provavelmente, as melhores cenas do filme). Toda a construção da narrativa em torno do surgimento do Capitão América, da obstinação do franzino Steve Rogers até sua entrada na guerra, é construída com a calma necessária - o que é muito bom -, mas entra aí aquele que é um problema cada vez mais comum em "filmes de origem" como esse: se tem-se um roteiro que se dedica a apresentar cada pormenor que justifica a existência do herói, tem-se, por outro lado, uma estranha dificuldade em criar uma trama minimamente interessante, com um vilão minimamente memorável. O Caveira Vermelha de Hugo Weaving é insosso, mas nem é culpa do ator. O roteiro de Capitão América: O Primeiro Vingador parece sabotar o personagem a todo momento, dotando-o de planos megalomaníacos difíceis de entender e que beiram o patético. Daí me pergunto: não seria simplesmente melhor deixar um vilão como esse (que é o maior inimigo do Capitão América) para uma possível sequência, e investir em antagonistas mais genéricos, que exigissem, pela sua natureza (genérica) um menor desenvolvimento dramático? Por que não, por exemplo, brincar ainda mais com o contexto da guerra e com a História, deixando simplesmente os nazistas como vilões (difícil não tomar como exemplo Os Caçadores da Arca Perdida, filme do qual, aliás, Capitão América parece desejar se aproximar, em determinados momentos)? E principalmente: por que submeter tanto os filmes da Marvel ao futuro longa dos tais Vingadores? Este terá de ser muito bom para justificar tantas oportunidades perdidas...















