domingo, 23 de maio de 2010

[zona verde]

Zona Verde
Green Zone, 2010
Paul Greengrass


Zona Verde é o primeiro filme sobre as guerras que os norte-americanos vêm travando no Oriente Médio a ser lançado após o imenso êxito artístico de Guerra ao Terror, que foi o primeiro trabalho verdadeiramente impactante sobre o tema. E, como tal, o novo filme de Paul Greengrass não traz nada de muito novo em relação ao que foi feito até então: não há grandes diferenças entre Zona Verde e obras como, por exemplo, Rede de Mentiras, de Ridley Scott, ou O Reino, de Peter Berg. Como filme de ação, o filme de Greengrass é excelente, justamente tudo o que se poderia esperar do diretor: montagem acelerada, narrativa envolvente, cenas carregadas de tensão, e muita correria - além de um Matt Damon excelente, mais uma vez. Greengrass é um mestre nesse quesito, e ele não decepciona ao levar sua câmera nervosa para o campo de batalha. Mas, assim também como os outros filmes citados (e mais vários outros que arriscaram-se nessa temática), Zona Verde não consegue ir fundo no lado humano da tal "guerra ao terror" e, daí, perde boa parte de sua força. Pois, um filme sobre guerra, por mais que possa render grandes sequências de ação e uma boa trama de espionagem - com os devidos toques políticos - tende a ser canhestro se resumir-se somente a isso. Torna-se puro entretenimento.
Aliás, esse foi mesmo o diferencial de The Hurt Locker: a forma como Kathryn Bigelow investigou, com um misto de crueza e poesia, os efeitos do combate sobre aqueles homens (e mulheres), ao invés de apostar somente em cenas de ação espetaculares e em discursos poléticos batidos - ainda que indubitavelmente relevantes. É que a política ganha contornos mais verdadeiros quando o elemento humano é colocado na equação, algo que a maior parte destes filmes - inclusive, infelizmente, esse Zona Verde - não conseguiu compreender. Talvez Paul Greengrass devesse rever o seu Vôo United 93, um dos grandes exemplos da força política que um olhar humanista pode ter.

sábado, 15 de maio de 2010

[homem de ferro 2]

Homem de Ferro 2

Iron Man 2, 2010
Jon Favreau


Homem de Ferro, de 2008, foi extremamente eficaz, como "filme de origem" que era, em apresentar de forma meticulosa - e sem pressa - seu protagonista: Tony Stark, com sua personalidade narcisista mas, ao mesmo tempo, irresistivelmente carismática, interpretado por um inspirado Robert Downey Jr., entrou para a história recente do cinemão norte-americano. Mas, repetindo outros "filmes de origem", Homem de Ferro também pecava por ter um fiapo de trama, com um vilão insosso e um tanto injustificável (o Monge de Ferro de Jeff Bridges estava lá somente para que o herói tivesse uma ameaça a altura para enfrentar).
Logo, o que se poderia esperar de Homem de Ferro 2 seria justamente o passo que foi dado em outras continuações recentes de filmes baseados em HQ's (notoriamente, X-Men 2, Homem-Aranha 2 e O Cavaleiro das Trevas): evolução. Uma trama mais complexa, com personagens mais complexos, e com vilões inesquecíveis. O diretor Jon Favreau até aponta nesta direção, mas não consegue dar efetivamente esse passo. Vejamos o caso dos vilões, por exemplo: Favreau tem dois grandes atores, Sam Rockwell e Mickey Rourke (voltando ao auge), com personagnes que poderiam render muito. Nenhum dos dois chegariam ao nível de um Coringa de Heath Ledger, mas ao menos poderiam representar oponentes tão fascinantes quanto o protagonista vivido por Downey Jr.. Rockwell está genial, é verdade. Mas a real ameaça a Tony Stark/Homem de Ferro é o personagem de Rourke. No entanto, esta ameaça nunca é potencializada: a sequência de sua apresentação, em Mônaco, é muito boa mas o confronto final entre os personagens, que deveria marcar o ápice de Homem de Ferro 2, é inexplicavelmente rápido e desinteressante. Chega a ser inacreditável que tenhamos visto tanto de um personagem para vê-lo sair de cena daquele jeito, sem nenhum cuidado.
Outro ponto contra: Tony Stark, que poderia ter aqui sua personalidade aprofundada, com a introdução do elemento alcoolismo - tornando-se, imediatamente, uma figura mais sombria, próxima talvez de um Bruce Wayne -, na verdade continua sendo o mesmo do primeiro filme. Sua relação com a bebida nunca ganha contornos sérios, é sempre vista com um olhar brincalhão, bem-humorado. Que condiz totalmente com o clima de puro entretenimento que Homem de Ferro 2 possui (e, no fim das contas, é isso mesmo que o filme é: entretenimento de alta qualidade, e só). Nada contra - acho que fiquei mesmo mal acostumado com a maturidade de um O Cavaleiro das Trevas, e passei a exigir o mesmo de todo e qualquer filme com tema semelhante.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

[top 1o: vencedores do oscar de melhor filme]


A Liga dos Blogues Cinematográficos está promovendo uma votação para a montagem de um ranking dos filmes que venceram o Oscar de melhor filme. Resolvi copiar e montar minha própria lista. É lógico que escolher 10 filmes entre tantas obras-primas, em mais de 80 anos de premiação, não é tarefa fácil. Acabei deixando de fora filmes que amo - clássicos como Casablanca, A Malvada, A Ponte do Rio Kwai e O Franco Atirador, e obras mais recentes como A Lista de Schindler, Menina de Ouro e Os Infiltrados. Mas, no fim, acho que fui justo: escolhi aqueles filmes que, para mim, são realmente os melhores. Discordem, por favor.


10- Platoon
Platoon, 1986
Oliver Stone


9- O Silêncio dos Inocentes
The Silence of the Lambs, 1991
Jonathan Demme


8- Um Estranho no Ninho
One Flew Over the Cuckoo's Nest, 1975
Milos Forman


7- Amadeus
Amadeus, 1984
Milos Forman


6- Lawrence da Arábia
Lawrence of Arabia, 1962
David Lean


5- Sindicato de Ladrões
On the Waterfront, 1954
Elia Kazan


4- Onde os Fracos Não Têm Vez
No Country for Old Men, 2007
Joel Coen & Ethan Coen


3- O Poderoso Chefão - Parte II
The Godfather - Part II, 1974
Francis Ford Coppola


2- Os Imperdoáveis
Unforgiven, 1992
Clint Eastwood


1- O Poderoso Chefão
The Godfather, 1972
Francis Ford Coppola

domingo, 2 de maio de 2010

[utopia e barbárie]

Utopia e Barbárie
Utopia e Barbárie, 2010
Silvio Tendler


Utopia e Barbárie é um filme com uma posição política muito bem definida. É, consequentemente, parcial, e mesmo tendencioso. Mas talvez resida justamente aí sua grande qualidade. Silvio Tendler sempre buscou um cinema de esquerda, engajado politicamente - basta olharmos para sua filmografia, composta por documentários como Os Anos JK, Jango, Glauber o filme, Labirinto do Brasil e Encontro com Milton Santos. De Kubitschek a Glauber Rocha, de João Goulart a Milton Santos, o cineasta sempre buscou visões de mundo, ou, ao menos, visões de Brasil. Isso leva a outra característica do cinema de Tendler: um olhar holístico sobre a realidade. Se sempre buscou apresentar as visões de mundo de seu biografados, fez de seus filmes também fragmentos da sua própria interpretação do mundo, e, nesse sentido, seu olhar é quase sempre para o todo, para as grandes explicações históricas. É um olhar macro. Isso gera alguns problemas - em Jango, por exemplo, Tendler deixava de em certo momento narrar a trajetória do ex-presidente para fazer um panorama histórico de todo o período militar, algo que soava um tanto "fora do lugar", na narrativa melancólica de seu mais famoso documentário; em Utopia e Barbárie, isso também chega a ocorrer, com a discussão sobre as utopias sendo esquecida em certo momento para o cineasta, por exemplo, discutir, durante um bom tempo, a tortura no regime militar. É um cinema quase hipertextual. As cenas em Israel, por mais que justificáveis na discussão sobre "utopias", parecem também deslocadas - é o tipo do assunto que merece um filme todo seu, e não um olhar apressado como esse.
No entanto, a força do debate apresentado por Tendler é imensa, e seu filme supera todos esses problemas. Ouvir aqueles depoimentos (aliás, que bela seleção de depoimentos!), ver (e rever) algumas imagens e permanecer impassível é simplesmente impossível. Utopia e Barbárie é, para qualquer pessoa que já tenha sentido indignação (ou uma pontinha de revolta, que seja) com as injustiças do mundo em que vivemos, um filme simplesmente empolgante. Dá até vontade de cantar a "Internacional Comunista" (aliás, a cena do sepultamento do poeta Pablo Neruda é de cortar o coração). É um olhar apaixonado (e apaixonante) sobre uma geração e seus sonhos. Por mais que ajude, não é necessário ser de esquerda para apreciar este filme. Basta ser humano.

P.S.: as inserções de cenas de outros filmes na narrativa de Utopia e Barbárie funcionam, todas, muito bem. Mas a de As Invasões Bárbaras é a melhor delas, Sintetiza com exatidão, em poucos minutos, toda a sensação de desamparo daquela geração com o dito fim das utopias.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

As Melhores Coisas do Mundo



Laís Bodanzky tem 40 anos de idade. Para descobrir essa informação, no entanto, só mesmo pesquisando sobre a diretora, pois é impressionante a capacidade quase antropológica que possui de retratar universos ligados a faixas etárias diferentes da sua. Quem assiste ao maravilhoso Chega de Saudade (2007) sem conhecer Bodanzky, acredita facilmente que ali está a mão de uma diretora experiente, já na terceira idade, a retratar com imensa veracidade uma realidade muito próxima à sua própria. E quem assiste a esse As Melhores Coisas do Mundo na mesma situação, tem a impressão oposta: Laís Bodansky deve ser uma jovem diretora, iniciante, retratando o mundo adolescente que abandonou há pouco. Assim como alcançara um olhar extremamente verdadeiro em seu filme anterior, neste novo trabalho a diretora mergulha fundo no cotidiano de jovens da classe média paulista e volta à superfície com um filme simplesmente... jovem. E por isso, também, assim como Chega de Saudade, verdadeiro do início ao fim.

Cabe uma ressalva: se seria mesmo de se esperar um grande filme a partir de uma história que tem como protagonistas pessoas marcadas (interna e externamente) pela vida, uma obra sobre adolescentes poderia facilmente cair na armadilha de ser banal e rasa, como muitos dos próprios retratados. Poderia ser uma versão fílmica de Malhação (ainda mais que até Fiuk, atual protagonista do folhetim Global, está no elenco do filme de Bodanzky), como aconteceu, por exemplo, com Podecrer! Mas As Melhores Coisas do Mundo passa longe desses problemas. Trabalha com estereótipos para revelar o quanto eles são, muitas vezes, reais, e arranca grandes interpretações de seus atores (como de costume em seu cinema, todos em cena estão bem, mas há pelo menos um desempenho verdadeiramente memorável, o do estreante Francisco Miguez). Mas o principal mérito de Laís Bodanzky, acima de todos os outros (que não são poucos), é sua capacidade de não julgar o mundo que está filmando. Foi assim nos seus dois longas anteriores, foi assim agora. Capacidade que, confesso, eu mesmo não tenho: em diversas vezes me peguei questionando as atitudes de um ou outro personagem de As Melhores Coisas do Mundo, mesmo neste texto. Bodanzky alcança a vida adulta em sua cinematografia com um filme sobre a boa época na qual ainda não precisávamos ser adultos.


As Melhores Coisas do Mundo 
As Melhores Coisas do Mundo, 2010
Laís Bondanzky

sábado, 17 de abril de 2010

[chico xavier]

Chico Xavier
Chico Xavier, 2010
Daniel Filho


Durante boa parte de minha adolescência fui espírita - um período relativamente curto (cerca de uns 5 anos), mas importante de minha vida, período de formação intelectual e de construção de visão de mundo (e minha ruptura com a religião deu-se justamente por discordância intelectual, e não por acreditar ou não nos "fenômenos" nos quais o espiritismo acredita, até porque nunca me importei realmente com estes). Sou de família espírita e, logo, convivo com a religião desde sempre. Sei, portanto, da importância que Chico Xavier tem para seus adeptos: talvez o maior divulgador que o espiritismo já teve, o médium mineiro foi também um dos grandes responsáveis pela consolidação desta doutrina no Brasil e, por sua postura de total sacrifício diante da vida e de sua "missão", tornou-se para eles quase um santo.
A vida de Chico Xavier é cinematográfica demais para não virar filme, mas, conhecendo tal devoção, meu medo maior era que o resultado fosse a) mais que um filme sobre um religioso, um filme religioso, feito para converter novos adeptos ao espiritismo ou b) um grande melodrama choroso, nas mãos de um diretor geralmente fraco como Daniel Filho ou c) as duas coisas. Nesse sentido, Chico Xavier, o filme, é mesmo uma agradável surpresa. Parente próximo de biografias recentes no cinema brasileiro, como 2 Filhos de Francisco e Lula, o Filho do Brasil, o trabalho de Daniel Filho (que, sejamos justos, já havia realizado um bom trabalho em Tempos de Paz) surpreende justamente por, assim como esses dois filmes, apostar numa construção gradual de uma atmosfera de comoção, sem cenas grandiosas e/ou catárticas - o tom de Chico Xavier é de absoluta sobriedade. Algo que se reflete nos desempenhos de seu elenco, encabeçado por um inspirado Nelson Xavier (é, desde já, uma das grandes interpretações deste ano) e por um competente Ângelo Antônio, que garantem a transformação de um personagem quase etéreo, tamanha sua bondade e serenidade, em um homem de carne e osso.
A surpresa maior, entretanto, está na abordagem de Daniel Filho para a religião em questão. É claro que este é um filme apaixonado por seu protagonista e que acaba corroborando muitos de seus ideais, retratando como verdade o que muitos não-crentes poderiam questionar - nesse sentido, o grande erro de Chico Xavier é mesmo a caracterização do personagem Emmanuel que, a meu ver, não deveria sequer ser mostrado no longa, mas apenas citado, deixando no ar a dúvida sobre sua real existência ou não. No entanto, longe de ser um filme espírita, este é um filme sobre um espírita. Interessa a Daniel Filho o homem Chico Xavier, o personagem. E não a religião que ele professava. O diretor não quer converter ninguém a nada, até porque ele próprio se declara ateu. Algo que, infelizmente, não podemos esperar da enxurrada de filmes espíritas que vêm por aí - estes sim, muito provavelmente, trabalhos religiosos-militantes, prontos a transformar qualquer espectador incauto em mais um crente a encontrar nos mais de 400 livros publicados por Chico Xavier a explicação para todos os seus problemas.

terça-feira, 6 de abril de 2010

[curtinhas: no cinema]

Um Homem Sério

A Serious Man, 2009
Ethan Coen & Joel Coen


Ver personagens que representam pessoas "comuns" sofrendo em filmes do irmãos Coen não é exatamente uma novidade. Nesse sentido, Um Homem Sério parece encaixar-se perfeitamente em sua filmografia. No entanto, a obra representa também uma certa ruptura: de Gosto de Sangue a Onde os Fracos Não Têm Vez, passando por Barton Fink, Fargo, Queime Depois de Ler e outros, as "vítimas da vez" só se transformavam em tal ao cometerem alguma atitude tida como estúpida, que gerava então uma série de consequências – geralmente violentas. Em Um Homem Sério não. O personagem vivido pelo genial Michael Stuhlbarg não só é uma pessoa "comum", mas é também o que poderíamos chamar de "homem bom". Não comete nenhuma grande estupidez, nenhum crime (pelo contrário, é mesmo acusado de um crime de extorsão que não cometeu realmente), e, ainda assim, uma tempestade de tragédias despenca sobre sua cabeça. Por quê? Seria a maldição da cultura judaica, mostrada no prólogo do filme (e seria este, então, um comentário dos Coen sobre a jornada trágica dos judeus ao longa da história humana)? Acaba que, diante do final avassalador de Um Homem Sério, ficamos mesmo sem uma resposta concreta – afinal, a vida raramente trás respostas realmente exatas. Mas ganhamos uma pequena obra-prima



Um Sonho Possível
The Blind Side, 2009
John Lee Hancock


Durante boa parte da "corrida" para o Oscar 2010, um filme sobre esporte esteve presente na lista de possíveis indicados a melhor filme: Invictus, de Clint Eastwood. Acusado de "quadrado", clichê e melodramático, no entanto, o retrato da África do Sul de Mandela acabou esquecido, e um outro "filme de esporte" entrou em seu lugar: este Um Sonho Possível (que título sofrível e preguiçoso!), mais conhecido como "o filme pelo qual Sandra Bullock ganhou o Oscar". A verdade é que Um Sonho Possível é tudo o que Invictus foi acusado de ser, e na verdade não era: é um imenso lugar-comum, uma história de superação banal, "quadrada", formulaica, irritante de tão previsível. Não há um momento verdadeiro no filme (ao contrário do que ocorre na obra de Eastwood), e só sendo mesmo muito pouco exigente para conseguir se emocionar com essa bobagem. Ruim, muito ruim.

Ah, e a Sandra Bullock... bem, ela está bem, verdade seja dita. Tem uma personagem carismática nas mãos, e a interpreta com competência. Mas, Oscar? Foi mesmo um ano fraco (Meryl Streep também não merecia, pela bomba Julie & Julia), mas que dessem a estatueta para uma novata, qual o problema? Carey Mulligan e Gabourey Sidibe estavam à disposição. Era só escolher.


Direito de Amar
A Single Man, 2009
Tom Ford


Plasticamente esplendorosa, a novela mexicana Direito de Amar... perdão, my mistake, mas é que com um título como esse... enfim, o filme A Single Man (na verdade, esse título brasileiro merece entrar para a história como um dos piores trabalhos de tradução já realizados no país, o que, levando-se em conta as barbaridades já cometidas por aqui neste campo, não é pouco) peca por seu roteiro vazio. O estilista Tom Ford, em sua estreia como diretor de cinema, parece contentar-se em criar uma imagem mais bela que a outra - algo que faz com imenso talento, especialmente através das mudanças no tom da fotografia que, confesso, me conquistaram –, mas esquece de contar a poderosa história de amor que tinha em mãos. Daí, resta para salvar o filme, além de seu visual, um impressionante Colin Firth: o ator inglês, tradicional coadjuvante de comédias e dramas românticos, constrói um protagonista sofrido, melancólico, encantador em sua dolorosa solidão, e, acima de tudo, humano. Firth preenche a tela em momentos de silêncio absoluto, e nem mesmo uma ótima Julianne Moore consegue competir com sua presença magnética. Talvez fosse o caso de dizer que Direito de Amar pertence a Colin Firth. Mas não: o filme, em toda sua fragilidade, pertence mesmo a Tom Ford, o que acaba sendo uma pena.