quinta-feira, 1 de junho de 2017

Mulher-Maravilha



Mulher-Maravilha é o filme mais redondo do conturbado universo expandido da DC no cinema (DCEU). Distante do gigantismo de O Homem de Aço (2013) e Batman vs. Superman (2016) e da bagunça generalizada de Esquadrão Suicida (2016), a diretora Patty Jenkins, de Monster – Desejo Assassino (2003), acerta em foco e tom: ela e o roteirista Allan Heinberg optam por desenvolver com a calma necessária a história de origem da heroína Diana (Gal Gadot), bem como sua relação com o soldado Steve Trevor (Chris Pine), no contexto da Primeira Guerra Mundial; ao mesmo tempo, Jenkins aposta numa atmosfera menos sombria que a de seus colegas de universo, realizando um filme leve, dotado de consistente senso de aventura, que, curiosamente, remete ao tratamento dado pela Marvel aos seus heróis no cinema – nesse sentido, a maneira como Mulher-Maravilha aborda, narrativa e visualmente, o contexto histórico da guerra o aproxima mais especificamente de Capitão América: Primeiro Vingador (2011).

Infelizmente, no entanto, ao flertar com os acertos da rival da DC, o filme incorpora também o que talvez seja o ponto mais fraco do Marvel Cinematic Universe (MCU): seus vilões pouco memoráveis, descartáveis. Nesse caso, o general alemão Ludendorff (Danny Huston), que articula, com sua subordinada igualmente maléfica, a química Dra. Maru (Elena Anaya), um plano para não permitir que a guerra termine. Até há um determinado momento em que a dupla diverte com sua vilania cartunesca (a cena na qual eles envenenam a alta cúpula do exército alemão), mas, no geral, tratam-se mesmo de figuras genéricas, meras escadas para a heroína entrar em ação. E, em seu epílogo, Mulher-Maravilha consegue piorar um pouco mais nesse quesito ao introduzir em cena um mega-vilão, de força equivalente a de Diana, que faz o filme repetir a grandiloquência aborrecida (explosões, destruição em massa produzida por toneladas de CGI) de O Homem de Aço (no embate entre o protagonista e os kryptonianos liderados por Zod) e Batman vs. Superman (no embate contra Apocalypse).

O que é uma pena, sobretudo por interromper o instigante arco dramático da heroína desenvolvido até aquele momento – ainda que esse confronto de grandes proporções seja coerente com a natureza de Diana. Mas o saldo é positivo: Mulher-Maravilha se equilibra belamente entre o aspecto divino de sua protagonista (realçado por ótimas sequências de ação, principalmente aquela ambientada nas trincheiras) e a introdução nela de dramas propriamente humanos, que a tornam uma personagem carismática e complexa, lembrando muito mais o adorável Superman de Christopher Reeve que a versão insossa do herói encarnada por Henry Cavill, seu companheiro no DCEU.  


Mulher-Maravilha 

Wonder Woman, 2017
Patty Jenkins




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