terça-feira, 25 de janeiro de 2011


[oscar 2011: algumas considerações sobre os indicados]



É sempre difícil comentar as indicações ao Oscar no momento em que são anunciadas, já que, geralmente, quando isso ocorre boa parte dos indicados sequer foram lançados nos cinemas brasileiros. Esse ano, dos 10 concorrentes na categoria principal, assisti metade. Mas, como bom "oscarmaníaco" que sou, vou deixar aqui alguns humildes comentários.
Para começar, não necessariamente possuir o maior número de indicações torna um filme o grande favorito do ano. Em 2009, por exemplo, O Curioso Caso de Benjamin Button foi lembrado em 13 categorias, mas saiu derrotado por Quem Quer Ser um Milionário?, indicado a 10 estatuetas (e vencedor de 8).
Na verdade, o raciocínio é bem simples: filmes épicos, de época, ou com grandes realizações técnicas, tendem naturalmente a receber um número maior de indicações. No Oscar 2011, isso não foi diferente: O Discurso do Rei, um drama de época, entra na disputa em 12 categorias, o western Bravura Indômita, em 10. No entanto, o verdadeiro favorito aos principais prêmios da noite não é nenhum destes dois filmes. Curioso, não? A Rede Social, o excelente filme de David Fincher sobre os criadores do Facebook, só não sai do Kodak Theater com as estatuetas de filme e direção se um imenso desastre acontecer, mesmo tendo sido indicado a "apenas" 8 Oscars.
Fincher deu vida a uma obra pequena mas de grande valor. Um verborrágico mas classudo retrato de uma geração, um filme simples, bem escrito, dirigido e interpretado. A Rede Social ganhou quase todos os prêmios das associações de críticos e levou também o Globo de Ouro em 4 categorias (Filme - Drama, Direção, Roteiro e Trilha Sonora). E deverá também sagrar-se vencedor nas premiações dos sindicatos, os verdadeiros termômetros para o Oscar.
A única baixa do filme nas indicações anunciadas hoje foi o esquecimento do magnífico Andrew Garfield (o novo Homem-Aranha) na categoria ator coadjuvante. Seu desempenho comovente em A Rede Social merecia ser mais valorizado. Já O Discurso do Rei, recordista de indicações, deverá sair apenas com o Oscar de melhor ator (Colin Firth) entre as categorias mais importantes, e provavelmente com um ou outro prêmio técnico. No melhor dos cenários, pode-se premiar ainda Helena Bonhan Carter, como atriz coadjuvante, mas ela terá um páreo duro contra a vencedora do Globo de Ouro Melissa Leo (O Vencedor).


Outro filme muito badalado e que recebeu grande número de indicações (8) é o controverso A Origem, de Christopher Nolan. Adorado e odiado por cinéfilos em iguais proporções, o exercício instigante do diretor dos últimos filmes do Batman é um trabalho excelente, a meu ver, mas longe de ser a obra-prima que muitos pintam por aí. Nolan, por sinal, acabou sendo a grande surpresa do Oscar 2011, sendo esquecido na categoria melhor diretor, indicação que era dada como praticamente certa. Apesar de, volto a repetir, adorar o filme, o comportamento irritante dos fãs xiitas de A Origem - e mesmo a pretensão excessiva que a própria obra possui - me fizeram ficar um pouco satisfeito com o esquecimento de Nolan. Até porque sua vaga foi "roubada" pelos irmãos Coen, em quem sempre confio.
Há muito ainda a ser comentado sobre essas indicações. A disputa acirrada em melhor atriz (a excelente Natalie Portman, impressionante em Cisne Negro e suposta favorita, ou a veterana e sempre preterida Annette Bening, também ótima em Minhas Mães e Meu Pai?), a sempre enigmática categoria filme estrangeiro (Biutiful, fortalecido pela lembrança de Javier Bardem como melhor ator, e Em Um Mundo Melhor parecem sair na frente, mas aqui nunca é possível prever com grande certeza e surpresas costumam acontecer), a decepção com as poucas chances de consagração absoluta do verdadeiro "filme do ano", Toy Story 3 (que deverá ganhar apenas melhor animação e, talvez, canção original), o esquecimento completo do excelente O Escritor Fantasma, de Roman Polanski. Entretanto, encerro esse texto celebrando a indicação do documentário Lixo Extraordinário na categoria que lhe compete. Filme magnífico, um dos mais emocionantes de 2010, ele será o representante do Brasil no Oscar esse ano. Tudo bem que a diretora é uma inglesa, mas Lixo Extraordinário se passa quase inteiramente no Brasil, é praticamente todo falado em português e tem brasileiros como protagonistas. É difícil não sentir uma pontinha de orgulho.

3 comentários:

Kamila disse...

Em relação às indicações ao Oscar 2011, ainda estou tentando digerir o fato de que Nolan ficou de fora em direção e as ausências de “A Origem” em Montagem, “Enrolados” em Animação e “Tron Legacy” em Efeitos Visuais.

Fabrício disse...

fiquei decepcionado com a ausência de Andrew Garfield para ator coadjuvante, A Origem para melhor montagem e Tron - O Legado para trilha sonora :(

Wallace Andrioli Guedes disse...

Fabrício, compartilho sua decepção quanto ao Garfield e a montagem de A ORIGEM. Não vi TRON LEGACY, não posso dizer.
Kamila, Nolan realmente merecia, mas lhe adianto que o trabalho dos Coen em BRAVURA INDÔMITA é excelente.