domingo, 15 de março de 2009

[alguns filmes - fevereiro]

007 contra Goldfinger
Goldfinger, 1964
Guy Hamilton


Recontagem
Recount, 2008
Jay Roach


Da Vida das Marionetes
Aus Dem Leben der Marionetten, 1980
Ingmar Begman


Cova Rasa
Shallow Grave, 1994
Danny Boyle


O Amigo Americano
Der Amerikanische Freuden, 1977
Wim Wenders


Lady Chatterley
Lady Chatterley, 2006
Pascale Ferran


[REC]
[REC], 2007
Jaume Balagueró & Paco Plaza


A Noite dos Desesperados
They Shoot Horses, Don't They?, 1969
Sidney Pollack


Corpos Ardentes
Body Heat, 1981
Lawrence Kasdan


Na Hora da Zona Morta
The Dead Zone, 1985
David Cronenberg


Ou Tudo ou Nada
The Full Monty, 1997
Peter Cattaneo


Alice Não Mora Mais Aqui
Alice Doesn't Live Here Anymore, 1974
Martin Scorsese


O Virgem de 40 Anos
The 40 Year-Old Virgin, 2005
Judd Apatow



Visto tradicionalmente como o melhor filme de James Bond, 007 contra Goldfinger é, em sua maior parte, uma grande bobagem. Uma bobagem divertida em alguns momentos, é verdade, mas ainda assim um filme a ser levado muito pouco a sério, e bastante distante de ser merecedor da alcunha que carrega. James Bond surge aqui no formato que o consagraria, como um espião descompromissado, heróico e conquistador, síntese da atuação imperialista das agências de espionagem ocidentais (há uma pequena, e lamentável, cena logo no início do filme, que deixa essa postura bem clara). Sean Connery encarna muito bem esse tipo, mas é difícil engolir um filme desse em tempos de Daniel Craig como o espião inglês, quando finalmente Bond pôs os pés no chão e se tornou uma figura minimamente real e responsável por seus atos. Nessa comparação, especialmente se tomarmos como referência o excepcional Cassino Royale, Goldfinger parece simplesmente brincadeira de criança. Serve como diversão descompromissada, no máximo.
Feito para a TV norte-americana, Recontagem é o tipo do filme que merecia também ganhar os cinemas. É um drama político contundente, envolvente e tristemente engraçado, ao enfocar as polêmicas eleições de 2000 para presidente dos EUA. Surpreende o fato de seu diretor ser Jay Roach (responsável por comédias bobas como Austin Powers, Entrando Numa Fria e suas respectivas continuações), que acerta em cheio em sua abordagem: ainda que não busque total imparcialidade, já que há um claro posicionamento a favor dos democratas e de Al Gore (e, depois de 8 anos de governo Bush, haveria como não se posicionar dessa forma?), o diretor acerta ao mostrar os dois lados da disputa, fazendo desfilar pela tela um grande número de personagens extremamente interessantes, especialmente aqueles vividos por Tom Wilkinson e Laura Dern (excelentes em cena), e conseguindo transformar a enormidade de detalhes e artimanhas jurídicas daquelas eleições em uma trama envolvente, tensa e empolgante. Mesmo sabendo como aquilo vai terminar, fica difícil não se frustrar com o desenrolar dos fatos e se revoltar com o acontecido. E vale também para nós, brasileiros, nos darmos conta do quanto nosso sistema político é avançado em determinados aspectos, se comparado à mais tradicional e poderosa democracia do mundo.
Um dos aspectos mais fascinantes de alguns filmes de Ingmar Bergman é a forma como o cineasta sueco introduz temas e abordagens psicanalíticas em suas tramas, sem que com isso soe forçado ou pretensioso. Talvez Persona seja o melhor exemplo disso. Em Da Vida das Marionetes, Bergman exacerba esse caráter de psicanálise de seu cinema, mas o resultado não é bem lá o que se espera. Abrindo com uma belíssima e impactante cena de assassinato, e mantendo-se interessante na maior parte de sua narrativa (além de contar com excelentes desempenhos de seus atores), o filme se perde por se estruturas justamente como uma investigação policial e psicológica: tudo acaba soando muito mastigado, didático, inclusive com uma espécie de relatório final, através do qual o diretor apresenta a conclusão de sua trama e do caso investigado. Não há muito espaço aqui para a dubiedade, tudo parece por demais fechado, conclusivo, o que tem muito pouco a ver com os grandes filmes de Ingmar Bergman.
Primeiro longa de Danny Boyle, Cova Rasa continua sendo, quase 15 anos após seu lançamento, um dos melhores trabalhos do irregular cineasta inglês. Na verdade, é uma história que não tem nada demais, com o batido tema da fortuna que destrói relacionamentos (e que seria explorada posteriormente no excepcional Um Plano Simples), mas o que encanta em Cova Rasa é o frescor com que Boyle filma. Seu olhar despretensioso e contagiante, que depois impregnaria filmes como Trainspotting e o recente Quem Quer Ser um Milionário?, funciona aqui perfeitamente, escorado em seu brilhante trio de protagonista: um estranho Christopher Eccleston, a bela e apaixonante Kerry Fox e um hipnotizante Ewan McGregor. Simples e delicioso de se assistir, o filme, dono de um humor negro inteligente, típico desse Boyle em início de carreira, é rápido, rasteiro e alucinante. E merecedor de um maior reconhecimento, que geralmente recai exclusivamente sobre Trainspotting.
Seria no mínimo interessante acompanhar o olhar de um grande cineasta como Wim Wenders sobre um personagem tão enigmático e fascinante como Tom Ripley, criado pela escritora Patricia Highsmith. Por isso, é uma pena que O Amigo Americano seja um ótimo filme por inúmeras razões, menos por seu Ripley. Wenders conta sua história com extrema elegância, sendo irretocável tanto dramaticamente, quanto quando assume o lado de thriller, brincando com brilhantismo de Hitchcock. Nesse aspecto, é de imensa importância a presença do sempre excelente Bruno Ganz, trágico e comovente no papel de protagonista. Entretanto, quando se trata de Tom Ripley, o filme cai bastante de qualidade. A própria escolha de Dennis Hopper para o papel já parece equivocada, o que acaba se confirmando na composição desajeitada do ator, que faz do personagem uma figura amalucada, bizarra, deselegante. Além disso, em seus momentos finais O Amigo Americano também escorrega, num epílogo apressado e demedidamente apoteótico. Uma pena, já que se encaminhava para ser uma obra admirável.
Fazer de um clássico da literatura, já filmado diversas vezes anteriormente, um grande filme, surpreendente e poderoso emocionalmente não é uma tarefa fácil. Tradicionalmente, novas versões de grandes obras costumam cair na mesmice e no marasmo. No entanto, a diretora Pascale Ferran consegue tal feito com Lady Chatterley. Sem promover alterações na trama do livro de D.H. Lawrence, sem precisar mudar a ambietação da história (espacialmente ou temporalmente): apenas filmando com talento e sensibilidade absurdos. Contemplativo em muitos momentos e ousado e provocativo em tantos outros, especialmente nas cenas de sexo, que, apesar de extremamente sensuais, são de imensa delicadeza, Lady Chatterley impressiona também por seu magnífico elenco, especialmente por sua protagonista, a bela e marcante Mariana Hinds. Sua presença em cena é hipnotizante, sensual e inocente ao mesmo tempo, e apaixonante. É uma protagonista feminina de imensa força dramática, que se impõe por sua graça e complexidade, interpretada por uma atriz magnífica, em um filme brilhante. Mas é de Ferran a maior parte da responsabilidade pelo filme ser o que é, por sua impressionante capacidade em conjugar a grandiosidade da história de amor contada e dos ambientes em que ela se passa com o intimismo das emoções dos personagens, e por sua competência em captar e reproduzir a força de uma história já contada tantas vezes. Seu trabalho é um primor.
Parece estar se consolidando como um gênero cinematográfico esse tipo de "cinema You Tube", onde a história é filmada com uma câmera subjetiva, como se tudo aquilo fosse capturado como que por acidente, numa sociedade imagética como a que vivemos nos dias atuais. E é surpreendente que, a cada novo filme lançado nesse estilo, desde o precursor A Bruxa de Blair, um novo passo seja dado no aprimoramento dessa linguagem. Foi assim com o excepcional Cloverfield, um dos melhores e mais instigantes filmes de monstro dos últimos tempos, e é assim com o espanhol [REC]. Na verdade, chega a ser inacreditável que ninguém tenha pensado antes no que pensaram os diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza: fazer um filme de zumbis nesse estilo. O resultado é apavorante. De verdade. A tensão é absurda, beirando o insuportável, o drama dos personagens é angustiante, e o final, indescritível. Nesse epílogo, os diretores ampliam a abrangência da premissa de seu filme, abrindo possibilidades para continuações e para um mistério instigante e aterrador, ao mesmo tempo que criam uma personagem absurdamente macabra, e difícil de esquecer. Aliás, esse parece ser um atributo desses filmes: por mostrarem muito pouco, somente o suficiente para destruir os nervos do espectador, e terminar de forma aberta, acabam-se abrindo inúmeras possibilidades para o desenvolvimento de uma verdadeira mitologia em torno dos personagens mostrados na tela. Com A Bruxa de Blair, essas possibilidades foram jogadas no lixo na fraquíssima continuação. Com Cloverfield e com [REC], só o futuro dirá. Mas esse futuro, de fato, promete muito. Só é uma pena que o terror espanhol já tenha ganho uma apressada refilmagem norte-americana, que parece pouco contribuir para o que pode estar por vir pelas mãos de Balagueró e Plaza.
Sempre tive Sidney Pollack como um diretor competente, mas artisticamente limitado. Seu mais premiado trabalho, Entre Dois Amores, por exemplo, é um longo, tedioso e burocrático épico romântico. Por isso a grande surpresa que tive diante de A Noite dos Deseperados (título em português que nem merece consideração), um dos primeiros longas de Pollack. É um filme simples, mas de forte cunho social, poderoso dramaticamente e absurdamente impactante: não é fácil esquecer A Noite dos Desesperados após assisti-lo. O diretor conduz a inacreditável, mas tristemente realista, história como uma longa e interminável tortura, que toma também o espectador como partícipe, contando com a contribuição indispensável de seus atores, especialmente de uma inspirada (e inspiradora) Jane Fonda (mas também merecem destaque Michael Sarrazin, Gig Young e especialmente a impressionante Susannah York). E destrói-nos emocionalmente, ao mesmo tempo que surpreende, ao apresentar seu epílogo, trágico, duro, e ao mesmo tempo resultado de uma ótima sacada do roteiro (e que justifica de forma brilhante o título original do longa). A Noite dos Desesperados guarda uma marca na história do Oscar: em uma dessas inúmeras injustiças da Academia, esse é o filme que recebeu mais indicações ao prêmio sem ter concorrido a melhor filme. Talvez isso tenha ofuscado seu brilho, e tornando-o menos conhecido do público em geral. Mas é uma obra de imenso valor, que precisa ser descoberta, e provavelmente é o melhor, e mais relevante, trabalho da carreira de Sidney Pollack.
Meu interesse por Corpos Ardentes surgiu meramente para conferir uma das primeiras atuações da carreira do agora redescoberto Mickey Rourke, a quem admiro profundamente. Sua participação é bem curta (são apenas duas cenas), mas marcante e minimalista, num desempenho que já denunciava o grande ator que ele é. É impressionante como o ótimo William Hurt é completamente ofuscado por Rourke em seus diálogos (e olha que não é um papel dramaticamente poderoso). No entanto, Corpos Ardentes também tem alguns aspectos positivos enquanto filme. Hurt, Kathleen Turner e Ted Danson estão muito bem em cena, e sua trama consegue envolver satisfatoriamente o espectador, por mais que seja recheada de clichês. O filme possui também um erotismo típico de alguns exemplares do cinema norte-americano dos anos 80 (como os filmes de Adrian Lyne), que funciona bastante para os propóstios de Lawrence Kasdan. No entanto, a falta de originalidade acaba acertando Corpos Ardentes em cheio na maior parte do tempo, tornando-o, infelizmente, mais do mesmo. Um filme que merece mais destaque por conter a mínima, mas marcante, participação de um jovem ator que se tornaria extremamente talentoso, do que por seus méritos cinematográficos em si.
Não é todo dia que se vê David Cronenberg e Stephen King unidos, como em Na Hora da Zona Morta, adaptação de uma obra do segundo pelas mãos do primeiro. Pena, no entanto, que não seja uma obra-prima, ainda que o resultado seja ótimo. Cronenberg abre mão aqui de suas bizarrices, em prol de uma trama que mistura suspense, drama e thriller político, mas, por mais que pudesse ser impróprio para a trama, o toque "cronenberguiano" acaba fazendo imensa falta. Na Hora da Zona Morta soa esquemático, e até melodramático, em alguns momentos, algo inimaginável em um filme do diretor canadense. Entretanto, justiça seja feita, é um longa envolvente e empolgante, com um protagonista excelente, muito bem interpretado por Christopher Walken (e com uma participação canastra, mas divertida, de Martin Sheen), e com um final ótimo, tenso e triste na medida certa. É um filme menor de Cronenberg, mas é, ainda assim, um grande filme.
Só mesmo com muito hype (e com muita campanha de marketing), para entender a indicação de Ou Tudo ou Nada ao Oscar de melhor filme em 1998. Sem querer desmerecer essa comédia inglesa, mas é muito estranho vê-la figurando ao lado de grandes obras como Titanic, Gênio Indomável, Los Angeles - Cidade Proibida e Melhor é Impossível. E mais estranho ainda é imaginar que a indicação do filme de Peter Cattaneo deixou de fora longas como Boogie Nights e Tempestade de Gelo. Deixando o Oscar de lado, no entanto, ainda assim Ou Tudo ou Nada continua sendo um trabalho pouco memorável. É verdadeiramente engraçado em pouquíssimos momentos (talvez a genial, e famosa, cena da fila seja o melhor deles), tem um elenco irregular, que vai do sempre excelente Tom Wilkinson (aqui, mais uma vez, inspiradíssimo) a um boboca Robert Carlyle, e decepciona por se entregar, em seu final, ao comodismo e esquematismo do gênero, onde o ato final triunfante dos protagonistas, um bando de loosers, resolve todos seus problemas, sejam eles financeiros ou mesmo amorosos. Nesse epílogo, Ou Tudo ou Nada se torna um filme perto do medíocre. Em seu todo, é apenas razoável, esquecível.
É muito bom ver Martin Scorsese, um dos maiores cineastas de todos os tempos, dono de um sem número de obras-primas, em início de carreira, mostrando vigor e um talento ainda bruto nesse Alice Não Mora Mais Aqui. Jovem, despretensioso e extremamente empolgante, o filme é também absurdamente humano, e ganha em densidade dramática graças, principalmente, à presença magnética de Ellen Burstyn em cena (merecidamente premiada com o Oscar de melhor atriz). Sua Alice é uma vítima do mundo, dos homens que cruzam sua vida (incluindo aí um excepcional e inesperado Harvey Keitel) e de seu filho outsider e irritante. No entanto, encanta por sua deteminação, por seu misto de inocência e melancolia, e por sua irreparável esperança de "ser alguém". Burstyn está magnífica e absoluta em cena, mas ainda deixa espaço para Kris Kristofferson brilhar com seu pequeno, mas fundamental, personagem, e para criar, ao seu lado, uma bela e honesta história de amor (sem contar a excelente participação de Diane Ladd, também indicada, com justiça, ao Oscar, de atriz coadjuvante). Um pequeno grande filme, uma pérola de um jovem Scorsese que parecia anunciar a genialidade que estava por vir (vale lembrar que, dois anos após Alice Não Mora Mais Aqui, o diretor entregaria sua primeira obra-prima, Taxi Driver).
O Virgem de 40 Anos é um filme muito fácil de se detestar. Baixo, apelativo, com personagens estereotipados aos montes, e com uma típica subtrama romântica perpassando o mote principal de sua narrativa, a busca do sujeito vivido por Steve Carrell pela perda da virgindade. No entanto, apesar de todos os pesares, Judd Apatow consegue fazer um bom filme. Como? Primeiramente, tendo Carrell como seu grande trunfo, um ator até então eterno coadjuvante de comédias ganhando aqui sua primeira chance como protagonista, e agarrando-a com unhas e dentes. Carrell constrói um personagem que convence e cativa em sua meiguice e inocência, que faz com que torçamos por seu "sucesso", ao mesmo tempo que faz comédia como poucos. Além disso, há o ótimo rol de coadjuvantes, que vai de uma encantadora Catherine Keener a uma extremamente sensual Elizabeth Banks, passando, obviamente, pelo trio de amigos do protagonista, vividos pelos ótimos Paul Rudd, Seth Rogen e Romalny Malco. E, por fim, está o tato de Apatow para fazer uma comédia irreverente, politicamente incorreta e com um tema naturalmente apelativo, sem ser grosseiro ou gratuito. O resultado é um filme genuinamente divertido, despretensioso e, em muitos momentos, adorável, considerando-se os limites dentro dos quais uma história sobre um homem de 40 anos de idade tentando perder a virgindade pode ser adorável.

7 comentários:

Hélio disse...

Sem tempo pra grandes divagações, que pena nao ter gosta de The Full Monty. Adorei esse filme na epoca do lançamento (a empolgação inicial me fez ate achar que ele seria o melhor do Oscar) e o revi uns dois anos atras. Ainda estava bom.

Eu acho inacreditavel que o mesmo diretor de Cova Rasa fez Slumdog Millionaire. É o apice e o fundo do poço, respectivamente.

A dica do filme de Pollack esta devidamente anotada.

E concordamos completamente em Lady Chatterley, sou bem mais entusiasta com O Virgem de 40 anos e Goldfinger e faz muito tempo que vi Corpos Ardentes e Zona Morta pra emitir qualquer comentario.

De resto, uma vergonha nao ter visto o Alice do Scorsese ou as Marionetes de Bergman (mas este ultimo nao tenho o dvd, entao parcialmente perdoado).

Abços!

Diego Rodrigues disse...

Achamos as mesmas coisas de O Virgem de 40 anos E [REC], até mesmo as estrelinhas.

Quanto a Corpos Ardentes eu preciso rever URGENTE.

Já Cova Rasa, do Boyle, eu nunca parei para ver direitinho. Tenho que ssistir a ele também!

gustavo disse...

quantos filmes!!!
"Alice não mora mais aqui" é soberbo mesmo!
"OU tudo Ou nada" é... digamos... 'nada'!
"Cova Rasa" marcou minha adolescência, inesquecível.
...

Wallace Andrioli Guedes disse...

Hehe, Gustavo, ótima definição para Ou Tudo ou Nada ...

Bruno disse...

Dos filmes que vi nessa lista, meus preferidos são "Cova Rasa" e "REC", duas obras excelentes. Gostei muito do que vc escreveu sobre REC, concordo plenamente, e tenho muita expectativa sobre uma continuação, que possivelmente deve ser por conta do pai da meninha que levou o cachorro que havia contraído o vírus... deram margem para uma continuação em local aberto, consigo até imaginar algo nos moldes de "Extermínio", só que com uma câmera subjetiva, nooossa!

Rafael Carvalho disse...

Numa comparação entre Slumdog e Cova Rasa vejo um paradoxo interessante porque o primeiro filme do Boyle é bastante sóbrio na direção enquanto o último parece trabalho de principiante, e dos medíocres.

Gosto muito do Amigo Americano do Wenders, o tipo de filme que se utiliza de uma obra literária para compor um outro tipo de obra, mais ligada a questões pertinentes ao diretor. Gosto muito de toda a construção psicológica do personagem do Ganz, e aquela cena do assassinato no trem é memorável.

Também gosto muitíssimo de Lady Chatterley e de como toda a técnica do filme é utilizada para expressar o desabrochar e a felicidade da personagem. Já ouvi até dizer que o livro, embora tenha causado sensação por ter sido proibido e banido do país de origem (Inglaterra???) por muito tempo, não é tão agrável assim. Tudo que o filme consegue ser.

O nível de tensão alcançado por Rec é uma coisa assombrosa, em ambos os sentidos. A narrativa frenética é perfeita para o clima de suspense e os diretores têm uma noção absurdas de espaço. Só não gosto muito da parte final com aqueles recortes de jornal, me pareceu bem clichê. Mas a incrível cena final me faz perdoar esse deslize.

Dentro da filmografia do Scorsese, Alice Não Mora Mais Aqui é um filme bem incomum, pelo tema e abordagem, mas contava com o já talentoso diretor e um elenco formidável como você citou.

Acho que uma das melhores qualidades das comédias dirigidas e/ou produzidas pelo Apatow é o respeito e cuidado que possui pelos personagens, nunca idiotizados pelo filme. E Carrel é um grande ator, nunca me arrependi de nenhum de seus filmes.

Wallace Andrioli Guedes disse...

Rafael, realmente o Ganz é a melhor coisa de O Amigo Americano, e você lembrou muito bem da sequência do assassinato no trem, é mesmo maravilhosa. Há também uma outra cena de assassinato, numa estação de metrô, igualmente impressionante.