quarta-feira, 13 de maio de 2009

Star Trek





Recomeçar uma série que possui milhares de fãs, muitos deles obcecados (os famosos trekkers), uma dezena de filmes e mais algumas temporadas na TV não é uma empreitada para qualquer um. Transformar esse recomeço em algo novo, dono de um frescor inesperado e, além disso, em algo interessante para quem nunca se arriscou naquele universo (meu caso), é ainda mais complicado. Em Star Trek, J.J. Abrams consegue todas essas façanhas, confirmando um talento já demonstrado na série Lost e no ótimo Missão: Impossível 3. E ele ainda vai além.

Esse aqui não é simplesmente um filme de apresentação de personagens, uma prequel diretamente linkada com os outros dez longas da franquia (o que vem se tornado cada vez mais comum no cinema norte-americano, com infindáveis "inícios" e "origens" chegando todos os anos aos cinemas): é um longa disposto a reinventar a série Star Trek, a dar novos rumos a ela, utilizando-se, para isso, de um imenso respeito ao que foi feito até agora e de um roteiro absurdamente bem escrito e coerente. Sem querer entrar em detalhes da trama (até porque, a princípio, Star Trek seria simplesmente uma prequel), basta dizer que Abrams e seus roteiristas (Roberto Orci e Alex Kurtzman) encontraram uma sacada muito boa para a existência do filme como ele é e para justificar a retomada dos personagens clássicos. É esse o elemento que garante a identificação com a obra tanto dos trekkers quanto dos não-iniciados: ela funciona brilhantemente de forma isolada, como um longa auto-suficiente, mas que pode vir a ser o início de uma nova saga; e é também uma espécie de continuação da jornada de Kirk, Spock e dos outros tripulantes da Enterprise (e, volto a dizer, não apenas uma prequel).

O elenco é também um grande acerto, especialmente pela dupla de protagonistas. Chris Pine e Zachary Quinto surpreendem, captando com perfeição a dinâmica conflituosa (mas que carrega o gérmen de uma grande amizade) entre Kirk e Spock, transformando seus personagens, individualmente, em mais do que estereótipos, que protótipos de personalidades muito bem definidas (o líder emocional versus o líder racional); essas características estão lá, muito claras, mas a interpretação da dupla, carregada de nuances, faz com que elas soem críveis. Há ainda um excepcional elenco secundário, do qual especialmente Zoe Saldana, Karl Urban e Simon Pegg se destacam, e um vilão no mínimo interessante, interpretado pelo sempre ótimo Eric Bana. Nero é, sem dúvidas, um ser cruel, uma figura destrutiva, mas Bana (e a dupla Orci e Kurtzman) faz dele alguém dotado de motivações até mesmo compreensíveis, alguém maltratado por seu destino que acaba se transformando num poço de ódio e amargura.

Star Trek é um filme de escala grandiosa, um espetáculo de efeitos visuais, com cenas de ação nem um pouco modestas. No entanto, antes de qualquer coisa, está a preocupação em realizar-se aqui um bom filme. Só por conseguir fazer com que pessoas como eu, que nunca se imaginaram entrando em um cinema para assistir a um filme da série, se interessem por esse universo, o trabalho de Abrams, Orci e Kurtzman já deveria ser louvado. Mas, independente do público que o filme atinja, seja ele feito para trekkers ou para quem só deseja assistir a um entretenimento dotado de um mínimo de inteligência, basta colocar os olhos nele para reconhecer, imediatamente, sua qualidade.

Star Trek 
Star Trek, 2009
J.J. Abrams

11 comentários:

Hugo Leon disse...

Não vi esse e nem pretendo ver. Não curto a série mesmo ...

Wallace Andrioli Guedes disse...

Eu também não curtia, Hugo. Agora estou revendo minha posição, depois do trabalho do J.J. Abrams.

cinevita disse...

5 estrelas! Oba!! To vendo os filmes anteriores e vejo este no Domingo.

Ciao!

Wallace Andrioli Guedes disse...

Na verdade foram 4 estrelas...

Bruno disse...

Eu vi poucos episódios da série, quando passava na Manchete (era na Manchete mesmo, ou na Record?), e não me lembro de ter visto nenhum dos filmes já feitos sobre ela. Mas todas as críticas que li agora, incluindo a sua, apontam isso, que não precisa ser um fã da série pra apreciar o filme, que agrada tanto fãs quanto outras pessoas não simpatizantes a esse universo. Além disso, o longa tem a alcunha do J.J. Abrams, que atualmente tem acertado em praticamente tudo, o que aumenta mais ainda minha curiosidade. O único problema é que hoje estréia "Anjos e Demônios", filme que tenho uma certa expectativa, e por isso talvez eu ainda demore um tempinho pra conferir "Star Trek", mas espero assisti-lo ainda nos cinemas. Abraço!

Rafael Carvalho disse...

Nunca me interesse pela Jornada nas Estrelas, mas muita gente tem falado muito bem do filme.

Hélio disse...

Me incluo nos que nao conhecem nada da série ou filmes. O que conheço de Star Trek se resume as milhares de referencias que sao feitas em tudo que é lugar (filmes e series).

Mas quero ver o novo. Nao duvido de todos que estao dizendo que o filme é excelente (gosto do J.J.), mas ainda assim nao consigo deixar de rir quando vejo a foto de Zachary Quinto como Spock. É tao tosco que eu nao veria se nao fosse pelos elogios. Espero entrar em cartaz por aqui (e legendado, obvio).

Abços!

Wallace Andrioli Guedes disse...

Hélio, e o Zachary Quinto é uma das melhores coisas do filme ...

cinevita disse...

Wallace, desculpe, sou meio vezgo. Vi o filme e pude ler sua crítica. Gostei muito dele e acho que você fez jus à suas virtudes. É uma excelente ficção científica.

4 estrelas também ;)

Ciao!

Diego Rodrigues disse...

Ótimo o filme. Valeu a pena ir ao cinema, e ainda se tiver uma continuação com a mesma dose de inteligência do primeiro, vou repetir a visita.

EuVirtual disse...

Gostei bastante desse filme, especialmente (como vc disse) pq o elenco surpreende. E os efeitos não são "olhem como sou moderno" - são usados na medida certa. Abs!

www.rosebudeotreno.com