domingo, 14 de agosto de 2011


[capitão américa: o primeiro vingador]

Capitão América: O Primeiro Vingador
Captain America: First Avenger, 2011
Joe Johnston


Apesar de ter uma vaga, e negativa, lembrança de ter assistido em minha infância o desastroso filme do Capitão América lançado no início da década de 1990, mantinha, há algum tempo, o interesse em reencontrar o personagem em uma grande produção, com qualidade técnica e narrativa, e elenco respeitável. Capitão América: O Primeiro Vingador é, ou deveria ser, a concretização desse interesse. Mas Joe Johnston ficou no meio do caminho - é o que dá contratar um cineasta apenas razoável para comandar um filme que poderia, dentro de suas limitações, ser ótimo.
O filme, na verdade, tem alguns acertos. O maior deles é ser fiel à origem do personagem, mantendo-o na década de 1940, no contexto da Segunda Guerra Mundial - é um momento em que fica muito mais fácil se identificar com um herói que carrega em seu uniforme a bandeira dos Estados Unidos, e o roteiro ainda brinca de maneira criativa com isso, justificando através da propaganda de guerra a escolha por tal uniforme (naquelas que são, provavelmente, as melhores cenas do filme). Toda a construção da narrativa em torno do surgimento do Capitão América, da obstinação do franzino Steve Rogers até sua entrada na guerra, é construída com a calma necessária - o que é muito bom -, mas entra aí aquele que é um problema cada vez mais comum em "filmes de origem" como esse: se tem-se um roteiro que se dedica a apresentar cada pormenor que justifica a existência do herói, tem-se, por outro lado, uma estranha dificuldade em criar uma trama minimamente interessante, com um vilão minimamente memorável. O Caveira Vermelha de Hugo Weaving é insosso, mas nem é culpa do ator. O roteiro de Capitão América: O Primeiro Vingador parece sabotar o personagem a todo momento, dotando-o de planos megalomaníacos difíceis de entender e que beiram o patético. Daí me pergunto: não seria simplesmente melhor deixar um vilão como esse (que é o maior inimigo do Capitão América) para uma possível sequência, e investir em antagonistas mais genéricos, que exigissem, pela sua natureza (genérica) um menor desenvolvimento dramático? Por que não, por exemplo, brincar ainda mais com o contexto da guerra e com a História, deixando simplesmente os nazistas como vilões (difícil não tomar como exemplo Os Caçadores da Arca Perdida, filme do qual, aliás, Capitão América parece desejar se aproximar, em determinados momentos)? E principalmente: por que submeter tanto os filmes da Marvel ao futuro longa dos tais Vingadores? Este terá de ser muito bom para justificar tantas oportunidades perdidas...

5 comentários:

Thiago Priess Valiati disse...

Caro,
Antes de qualquer coisa, gostaria de me apresentar: meu nome é Thiago Valiati, cinéfilo como você, de Curitiba, 21 anos.
Estava navegando pela internet e caí no seu blog. Adorei! Você escreve muito bem e domina o assunto. Parabéns!
E ah, também tenho um blog de Cinema (em fase inicial), se puder dar uma olhada e, eventualmente gostar, adicionar à sua lista de blogs também (adicionei já!), iria me sentir honrado.

Blog: http://this-is-cult-fiction.blogspot.com/

Wallace Andrioli Guedes disse...

Obrigado pela visita, Thiago. Adorei seu blog, estarei sempre passando por lá também...
Abraço!

Kamila disse...

Achei esse filme deliciosamente divertido! Um barato mesmo! Um personagem principal altamente carismático, numa trama que prende a atenção. Ótima parte técnica também!

Wallace Andrioli Guedes disse...

Então, Kamila, o que você achou do filme era exatamente o que eu queria ter achado... de fato, o protagonista é carismático (Chris Evans está bem em cena) e há um clima de diversão no ar que ajuda bastante CAPITÃO AMÉRICA. Mas a trama, bobinha em excesso, acaba comprometendo o resultado final.

alan raspante disse...

Então Wallace,eu gostei do filme. É, claro que ele se perde na segunda metade com tanta ação e tudo mais. Porém, como eu esperava pelo pior, acabei achando bem "positivo".

Abs.