domingo, 1 de maio de 2011


[turnê]

Turnê
Tournée, 2010
Mathieu Amalric


Mathieu Amalric é um dos melhores atores do cinema contemporâneo - qualquer um que assistiu a filmes como Reis e Rainha, O Escafandro e a Borboleta e A Questão Humana sabe muito bem disso -, e não chega a ser exatamente uma surpresa que ele se saia tão bem na direção de longa-metragens. Turnê, seu segundo trabalho como diretor, é uma preciosidade. Amalric é extremamente carinhoso no olhar que lança sobre seus personagens, um grupo de dançarinas burlescas norte-americanas carregadas de melancolia quando estão fora do palco e seu empresário francês (interpretado pelo próprio diretor), um típico fracassado boa-praça, cheio de dívidas e de boas intenções, que embarca em uma delicada tentativa de aparar algumas arestas de seu passado ao retornar à França para a turnê do título. Estruturado praticamente como um diário de viagem, Turnê é daqueles raros filmes que conseguem ser doces ao retratar figuras amargas, machucadas pela vida (sei que há outros, e provavelmente mais apropriados, exemplos que se aproximam do filme de Amalric, mas não consegui não me lembrar de O Lutador). Os fracassados e marginalizados se entendem, e formam um grupo que pode tranquilamente ser chamado de família. O diretor/ator opta por nunca apelar para momentos catárticos ou grandes transformações emocionais em seus protagonistas, permanecendo sempre num registro simples e delicado do cotidiano daqueles personagens. E o resultado é um filme muito bonito.

2 comentários:

Kahlil Affonso disse...

Quero muito ver este filme!

http://filme-do-dia.blogspot.com/

Rafael Carvalho disse...

Vi ontem Wallace e me bateu como uma grande surpresa justamente por esse tom melancólico que não esperava do filme, mas que se mostra muito bem conduzido pelo cineasta. Mas o mais interessante é o olhar que ele lança sobre seu próprio personagem, sem nunca ser taxativo, ganhando pela sutileza com que demonstra traços de sua personalidade através de resquícios de sua história. O filme consegue nunca ser óbvio. As performers são todas ótimas em seus excessos e alegorias.