domingo, 17 de abril de 2011


[vips]

VIPs
VIPs, 2011
Toniko Melo


Apesar das óbvias aproximações com o ótimo Prenda-me Se For Capaz, de Steven Spielberg, VIPs faria uma coerente sessão dupla com outro filme brasileiro bastante semelhante em suas escolhas dramáticas e estéticas: Meu Nome Não é Johnny. Assim como o sucesso com Selton Mello, o filme de Toniko Melo traz como protagonista um jovem que, meio na inocência, meio na malandragem, entra em um mundo de crimes que o leva a uma rápida ascensão social, até que, uma hora, a casa finalmente cai. João Guilherme Estrella e Marcelo do Nascimento são personagens carismáticos, cheios de lábia, e que conquistam não só aqueles que o cercam mas também nós, que acompanhamos suas trajetórias. E se em Meu Nome Não é Johnny Selton Mello surgia cantando "Outra Vez", de Roberto Carlos, em VIPs Wagner Moura também solta a voz em "Será", do Legião Urbana, um dos melhores momentos do filme. A grande diferença entre as obras está nos epílogos: enquanto Mauro Lima apostava em mostrar todo o processo de reabilitação de seu protagonista, deixando um certo tom de "lição de moral" no ar (mas que, dentro da narrativa de Meu Nome Não é Johnny, até funcionava bem), Melo abre mão de apresentar Marcelo do Nascimento como um sujeito novamente integrado à sociedade, seja através de alguma cena dramatizada ou mesmo através dos tão comuns letreiros explicativos, em prol de uma cena final carregada de ironia que, confesso, me agradou bastante.
O grande problema de VIPs está no tratamento que dá a seu protagonista. A atuação de Wagner Moura é extremamente competente, como se poderia esperar desse ator cada vez mais camaleônico, mas o roteiro exagera ao apresentar seu personagem como um esquizofrênico à lá Uma Mente Brilhante, e ainda ao tentar transformar essa informação em uma espécie de reviravolta na trama. Acaba soando forçado, ainda que, volto a dizer, Moura esteja ótimo, mesmo nessas cenas.
VIPs é, no fim das contas, mais um exemplar de um tipo de filme bastante comum no cinema brasileiro contemporâneo: cinebiografias (de personagens célebres ou não) com qualidade e elenco global, tecnicamente impecável, mas com roteiro praticamente nulo em criatividade e ousadia. E aí nem só Meu Nome Não é Johnny serve como parâmetro para comparação, mas também Cazuza - O Tempo Não Pára e o recente Bruna Surfistinha, por exemplo. São todos bons filmes, mas que não passam disso. Talvez, se VIPs realmente fosse mais parecido com Prenda-me Se For Capaz, seria um grande filme. Mas Toniko Melo tem muito mais em comum com Mauro Lima e Marcus Baldini do que com Steven Spielberg.

4 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Confesso que meu interesse mais neste filme seja, apenas, pela presença de Wagner Moura. Um dos meus atores prediletos! abs

Weiner disse...

Concordo com o Cristiano, meu interesse por VIP's se resume à figura de Wagner Moura, acredito que nada mais. A história, aliás, é absurdamente repetitiva (embora o fato de ser real torne este detalhe no mínimo preocupante). Devo encarar apenas em DVD.

Wallace Andrioli Guedes disse...

Weiner,
mas devo lhe dizer que o filme em si não é tão repetitivo, a trama flui bem, há sempre um crescimento no grau de ousadia do protagonista. E o Wagner Moura está mesmo ótimo.

pedro disse...

Toniko é publicitário, de berço "Meirellesco". Contudo, aprecio a desconstrução psicológica ao invés do estudo explícito das motivações do protagonista para tamanha ousadia...

Abs!

http://www.cinemaorama.com