terça-feira, 12 de abril de 2011


[3x liz taylor]

A morte do ícone Elizabeth Taylor, no último dia 23 de março, fez com que eu atentasse para o parco conhecimento que possuo acerca de sua filmografia. Aproveitei o ensejo para, então, tomar contato com 3 obras importantes protagonizadas pela atriz, 3 clássicos do cinema norte-americano que, de qualquer forma, me envergonhava de ainda não ter assistido. Ainda que a vergonha de continuar sem assistir Assim Caminha a Humanidade seja ainda maior...


O Pecado de Todos Nós
Reflections in a Golden Eye, 1967
John Huston


Apesar de Marlon Brando e Elizabeth Taylor ótimos em cena, o filme de John Huston peca pelo ritmo excessivamente arrastado, que o torna bastante cansativo. Há momentos bem fortes em O Pecado de Todos Nós, é verdade, como a surra que o personagem de Brando leva em uma festa e a cena final, mas a sensação é de um filme com uma grande história conduzido com uma mão pesada demais por seu diretor, que parece não saber como transformar em um turbilhão de emoções a relação entre personagens tão instigantes e reprimidos. Uma pena. Destaque ainda para a belíssima fotografia em sépia, que torna concreto (quase palpável) o simbolismo do título original (Reflections in a Golden Eye).


Um Lugar ao Sol
A Place in the Sun, 1951
George Stevens


Melodrama com fortes tons de tragédia, que remete diretamente a Crime e Castigo e ao filme Aurora, de F.W. Murnau, Um Lugar ao Sol impressiona por ter envelhecido muito pouco (ou por não ter envelhecido nada, desconfio). O maior destaque é Montgomery Clift, um ator excepcional (algo que já tinha percebido em A Um Passo da Eternidade) que conduz um personagem difícil, complexo, sem jamais deixar de causar identificação no espectador - não por simpatia, mas por compreensão de seus dilemas. É um trabalho magnífico. Já Elizabeth Taylor, estonteante de tão linda, funciona perfeitamente como o elemento de desestabilização do personagem de Clift - para entendermons o que ele passa, basta olharmos para ela. E há ainda uma comovente Shelley Winters. Grande filme.


Gata em Teto de Zinco Quente
Cat on a Hot Tin Roof, 1958
Richard Brooks


Gata em Teto de Zinco Quente me impressionou bastante. Compartilha com Uma Rua Chamada Pecado - outra célebre adaptação de Tennessee Williams para o cinema - os diálogos fortes e personagens viscerais que tornaram tão impactante o filme de Elia Kazan. E aqui, como lá, há um imenso acerto na escolha do elenco, que explode na tela em sensualidade e sentimentos reprimidos. É um tortuoso desfile de personagens complexos, egoístas, machucados pela vida. Comovente. Paul Newman e Elizabeth Taylor estão assombrosos, transbordando uma tensão sexual comparável a existente entre os personagens de Marlon Brando e Vivien Leigh no clássico de Kazan - e o casal tem a companhia do excepcional Burl Ives, elemento catalisador das emoções, traumas e dores que acompanhamos. A visceralidade dos desempenhos do elenco de Gata em Teto de Zinco Quente permite que o filme transcenda o tom excessivamente teatral que possui, para, sem nenhuma cerimônia, entrar pela porta da frente no hall das grandes realizações cinematográficas de todos os tempos. Obra-prima.

3 comentários:

Kahlil Affonso disse...

uma verdadeira deusa do cinema!

http://filme-do-dia.blogspot.com/

Cristiano Contreiras disse...

"Gata em teto de zinco quente" é muito bom mesmo, atuações impecáveis e a tensão sexual concebe o charme do filme. O roteiro é primoroso, na minha opinião. Desses três, é meu favorito mesmo!
Acho "O Pecado de Todos Nós" chatinho, fraco mesmo, envelheceu muito.

E, ah, "Um Lugar Ao Sol" é incrível, acho a atuação de Monty eterna ali.

Abraço! belo post!
Apareça!

Rafael Carvalho disse...

Também não sou dos mais entusiastas de O Pecado de Todos Nós, embora goste um pouquinho mais do que você. As duas cenas referidas são mesmo ótimas, mas acho que existia muito mais coisas em cada um dos personagens que mereciam maior aprofundamento e o filme não consegue dar conta de tanta complexidade.

Muito interessante essa relação que você faz entre Um Lugar ao Sol e Aurora. O clássicismo do filme do Stevens é muito bem trabalho em todo seu aspecto, extraindo performances ótimas de todo o elenco. Mas sabe que eu às vezes acho o Clift um tanto limitado! Mas é um bom ator.

Já Gata em Teto de Zinco Quente, com aquele texto cortante e afiado do Tennessee Williams (por mais que acusem o filme de uma suavização do material original) é uma apoteose dramática que vai crescendo de tal forma em potência e desnudando seus personagens de forma impressionante.