segunda-feira, 28 de março de 2011


[bravura indômita]

Bravura Indômita
True Grit, 2010
Ethan Coen & Joel Coen


Sejamos honestos: o Bravura Indômita original, que deu a John Wayne o Oscar de melhor ator em 1970, é um western bem meia-boca. Tem um clima de aventura despretensiosa, com personagens que, apesar de bem defendidos por seus intérpretes, não passam de estereótipos. Por isso, a nova versão da história conduzida pelos irmãos Coen é muito bem-vinda. Há remakes que são totalmente justificáveis, e esse é um deles - ainda que a dupla de cineastas não considerem seu filme como tal, mas simplesmente como uma nova adaptação do livro de Charles Portis. E o que os Coen conseguem realizar com esse material é qualquer coisa de impressionante.
Apesar de seguir quase de maneira exata a trama do longa de Henry Hathaway (somente o final é realmente diferente), o novo Bravura Indômita é, em sua essência, um filme completamente diverso. Dotado de uma melancolia que parece impregnar cada plano, o western dos Coen é uma obra que se erige sobre a relação entre sua dupla de protagonistas: o adorável beberrão de Jeff Bridges (muito melhor no papel que Wayne, diga-se de passagem) e a contagiante Mattie Ross da genial Hailee Steinfeld. Ainda que sempre se deliciando com os estereótipos que representam, Bridges e Steinfeld (e também Matt Damon) conseguem ir além destes, e construir personagens densos e comoventes. É difícil não se encantar com o trôpego relacionamento entre eles, identificação que é fundamental para o êxito da mais bela sequência do filme, uma longa, insana e dolorosa cavalgada/caminhada. Emocionante.
Há quem argumente que Bravura Indômita tem pouco do cinema dos irmãos Coen. Discordo. Estão lá a violência repentina que resulta em imagens impactantes e o humor negro incorrigível da dupla, ainda que em doses menores. Goste-se ou não, Bravura Indômita é um filme de Ethan e Joel Coen do primeiro ao último segundo. Que bom.

4 comentários:

Mateus Selle Denardin disse...

É um filme belíssimo, estética e narrativamente. Já na cena inicial, com a câmera se aproximando de um ponto luminoso (como em UM HOMEM SÉRIO, aliás) e então revelando um personagem caído ao chão sob a neve e luz dourada, e ouvindo as doces palavras da Mattie adulta, fui às lágrimas. E, lá pelo final, na extraordinária sequência que você brevemente cita, foi-me impossível conter o arrebatamento. Lindo, lindo, lindo. 9/10 ou 5/5

Rafael Carvalho disse...

Como o Mateus citou, o filme é mesmo belíssimo esteticamente, mas não sou dos maiores entusiastas, embora os Coen trazem muito de seu cinema para a história. Mas daí a dizer que o filme do Hathaway é meia-boca, acho que você pegou pesado. Também não acho maravilhoso (coloco no mesmo pé que esse dos Coen), mas é mais clássico, mais redondinho, mas nem por isso pior.

Wallace Andrioli Guedes disse...

Rafael, mas eu acho que o filme dos Coen também tem um olhar mais clássico, tem um jeitão de western das antigas, apesar de trazer, como disse no texto, características típicas do cinema dos irmãos. Meu problema com o filme do Hathaway é que não consigo levá-lo a sério, com seu climinha de aventura despretensiosa. Nesse sentido, o TRUE GRIT dos Coen me conquistou por tornar forte e impactante uma história que conhecia como leve e esquecível.

BillyCapra disse...

Não cheguei a ver o original, mas acho dificil ele chegar perto deste remake.