sexta-feira, 19 de março de 2010

[preciosa]

Preciosa - Uma História de Esperança
Precious: Based on the Novel Push by Sapphire
Lee Daniels, 2009


Preciosa é o típico filme indie com "consciência social" que, vez ou outra, aparece na cena cinematográfica norte-americana. Talvez seja um primo distante de um Crash, por exemplo. E, assim como no polêmico filme de Paul Haggis, é difícil simplesmente aprovar ou desaprovar o que se vê.
Se, por um lado, é praticamente impossível permanecer impassível diante dos acontecimentos mostrados – até porque, neste caso, trata-se de uma personagem que é a definição ambulante de tragédia –, por outro, não dá para não enxergar uma postura vez ou outra apelativa, que parece querer chocar pela superexposição dos dramas alheios. E se a sucessão de tragédias na vida de Claireece Precious Jones causa empatia pela protagonista e comoção, também serve para fortalecer esse possível caráter manipulativo do trabalho de Lee Daniels, já que seja a ser inacreditável que tal sucessão de desgraças possa ocorrer a uma única pessoa.
No fim das contas, porém, o que fica, a imagem que permanece ao término de Preciosa, é a de suas duas principais intérpretes. Gabourey Sidibe, que consegue fazer de Precious uma figura palpável, verossímil e comovente diante de tamanha tragédia (a interpretação da jovem atriz traz à memória, imediatamente, o inesquecível desempenho de Whoopi Goldberg em A Cor Púrpura); e Mo'Nique, cuja proeza é ainda maior: transformar em ser humano um verdadeiro monstro – e sua cena final é sintomática do êxito da atriz nesse sentido. São essas duas grandes mulheres que salvam Preciosa da pieguice e do dramalhão, criando um filme cativante que consegue passar, apesar de todos os pesares, uma impressão de honestidade – algo fundamental em uma obra na qual qualquer pequeno deslize poderia transformá-la em um poço de artificialidade, inverossimilhança e apelação barata.

P.S.: Paula Patton é a coisa mais linda do mundo. Quero para mim...

3 comentários:

Luiz Henrique Oliveira disse...

Gosto muito de Precious, mesmo achando que não merecia levar o prêmio de Roteiro. As atuações são irretocáveis - para usar um clichê - e apesar de melodramático em seu final, é belo, belissimo em sua tristeza. Só Mariah Carey que não tem jeito mesmo... não nasceu para ser atriz. HAHAHA. Um abraço!

Rafael Carvalho disse...

Acho que essa dupla relação de sinceridade e apelação euqilibram muito bem o filme, o deixa num meio termo interessante. Além do imenso talento das duas atrizes, que seguram bastante o filme, acho que o Lee Daniels tenta fugir da pieguice, por exemplo, quando insere os flashes glamourosos de Claireece nos momentos mais sofridos dela.

E acho que Mo'Nique consegue transformar o ser humano em monstro, mas também mostrar o quanto o monstro tem algo de humano, no sentido mais ambiguo do termo.

Wallace Andrioli Guedes disse...

Detestei os flashes...