terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

[sobre os indicados ao oscar 2010]


Finalmente foram anunciados os indicados ao Oscar desse ano. E daí? E daí que, com pouquíssimas surpresas em sua lista de melhores de 2009, a Academia promete mais uma cerimônia enfadonha (ainda que a dupla de anfitriões, Steve Martin e Alec Baldwin, tenham tudo para dar seu show à parte) e previsível. Bem, talvez nem tão previsível, por um simples detalhe: a principal categoria da premiação está completamente aberta. Se após o Globo de Ouro, e com os recordes sucessivos de bilheteria, Avatar parecia imbatível como melhor filme e diretor, os prêmios dos sindicatos (dos produtores e dos diretores) deram nova vida ao seu maior rival, a obra-prima Guerra ao Terror (ambos ficaram com 9 indicações). E ainda tem outra obra-prima, Bastardos Inglórios (8 indicações), correndo por fora nessa disputa.
Infelizmente, porém, é justamente a categoria de melhor filme a responsável por um dos maiores problemas do Oscar 2010. Me refiro a estapafúrdia decisão da Academia de indicar 10 obras aqui.
Pode parecer conservadorismo da minha parte, mas não consegui ainda entender essa mudança. O resultado: perda de credibilidade. Tudo bem, bobagens sempre são indicadas a melhor filme de qualquer jeito (está aí O Leitor para não me deixar mentir, só para ficar no ano passado), mas, com 10 concorrentes, o nível de mediocridade corre sempre o risco de aumentar. Vejamos: se o número de indicados ainda fosse 5, estes, provavelmente, seriam Avatar, Guerra ao Terror, Amor Sem Escalas, Bastardos Inglórios e Preciosa. Nada absurdo, certo (por mais que eu não seja muito fã do blockbuster de James Cameron, sei que sua indicação aqui seria inevitável)? Com 10, abre-se espaço para um filme ruim, mas hypado, como Educação, entrar. E para outro, que ainda não vi, sobre futebol americano contando uma história de superação (!), também figurar entre os melhores do ano.
Por outro lado, pode-se argumentar que o aumento do número de concorrentes na categoria principal do Oscar abre espaço para pérolas, como Distrito 9. Tudo bem. Mas é inevitável pensar que a lembrança ao filme de Blomkamp parece um prêmio de consolação, e um recado da Academia do tipo "olha como somos legais, indicamos a melhor filme uma ficção-científica sul-africana cult, mas é só porque são 10 indicados, e porque estavam faltando filmes para completar a lista"...
Enfim, eu decididamente não me convenci desta mudança, e torço muito para que, em 2011, tudo volte a ser como nos Oscars anteriores.
Vale lamentar ainda a ausência de Julianne Moore entre as coadjuvantes e a lembrança ao fraco A Teta Assustada como filme estrangeiro (essa categoria é sempre muito estranha mesmo). Ah, sim: e confesso que ainda estou meio abismado com esse favoritismo da Sandra Bullock...


Os indicados a Melhor Filme, em estrelas:


Amor Sem Escalas

Avatar

Bastardos Inglórios

Distrito 9

Educação


Guerra ao Terror

Preciosa

Um Homem Sério

Um Sonho Possível

Up - Altas Aventuras

E a lista completa dos indicados pode ser conferida aqui.

8 comentários:

Hugo Leonardo disse...

Eu não me incomodei em ser 10 indicados, mas realmente não tem grande utilidade, a não ser o marketing mesmo.

A ausência maior pra mim foi a não indicação de Viggo Mortensen por THE ROAD.

Lílian Moreira disse...

Tá na hora de vc ver UP hein... Vou gostar mais ainda do seu blog se vc comentar sobre animações, meu gênero preferido ;)

Cristiano Contreiras disse...

Que Avatar lidera os prêmios e pronto! rs

Abraço!

Wallace Andrioli Guedes disse...

Hugo, acho que THE ROAD tem cara de filmaço, e minhas expectativas são as mais altas possíveis com ele. E num ano de reconhecimento de algumas ficções-científicas (AVATAR, DISTRITO 9, STAR TREK), não duvido que essa seja a melhor delas...
Lílian, realmente preciso ver UP, já está na minha lista. Se der, vejo ainda essa semana. Mas confesso que não sou muito fã de animações...

Cristiano, não entendi seu comentário... você gosta de AVATAR? Acha merecido todo esse barulho em torno do filme?

CiNe ViTa disse...

Não achei enfadonha ou previsível. Não gostei de muita coisa, mas tiveram sim bastante surpresas. Me incomodei especialmente com a superestimação de "Guerra ao Terror" (trilha sonora foi um exagero) - e a ausência da trilha de "Direito de Amar" - e de Julianne Moore. Ainda teve a esnobação de "(500) Dias Com Ela".

Mas "Avatar" e "Bastardos Inglórios" fazem a festa valer a pena.

Wally (http://cinevita.com.br/)

Wallace Andrioli Guedes disse...

Wally,
como vi GUERRA AO TERROR já há um tempinho, não lembro da trilha sonora a ponto de julgar se a indicação foi justa ou não. Mas não acho que o filme venha sendo superestimado, de jeito nenhum. É uma obra-prima. James Cameron mesmo disse que a Bigelow tinha feito um filme que significava para a Guerra do Iraque o que PLATOON significou para a do Vietnã. E eu não acho exagero.
Ainda não vi A SINGLE MAN (enquanto for possível, vou evitar usar esse título "novela mexicana" que o filme ganhou no Brasil), mas tem cara de ser filmaço. Uma pena a esnobada que levou.
Como deve saber, acho (500) DIAS COM ELA e AVATAR, esses sim, superestimados. Fico feliz pelo esquecimento do primeiro. E torço, como em numa final de campeonato, pela derrota do segundo nas categorias principais.
Porque, a meu ver, é a dupla BASTARDOS INGLÓRIOS / GUERRA AO TERROR que faz essa festa valer a pena.

Rafael Carvalho disse...

Acho que uma das grandes surpresas dessa lista é a inclusão de Um Sonho Possível na categoria principal, por mais que não tenha chances de ganhar. E muito provavelmente tirou a indicação de Invictus, dirigido por alguém que a Acadeia adora. Sandra Bullock parece ter grandes chances aqui, até porque só Deus sabe quando ela terá outra, mas ainda acho que ela ganha.

Diego Rodrigues disse...

Eu não gosto dessa mudança para 10 indicados. Tiveram algumas obviedades e algumas surpresas, como em todo o ano. Não gosto da atuação de Bullock em Um Sonho Possível, nem do filme, então foi a coisa que mais me incomou.

Mas enfim, eu tô na torcida por Bastardos, mas como eu sei que não deve vencer; que ganhe Guerra ao Terror, pelo menos.