sábado, 9 de janeiro de 2010

[à prova de morte]

À Prova de Morte
Death Proof, 2007
Quentin Tarantino


26 de novembro de 2007. Essa foi a data em que assisti, no cinema, Planeta Terror, de Robert Rodriguez. Definitivamente, é vergonhoso que, mais de dois anos depois, seu filme-irmão, À Prova de Morte, de Quentin Tarantino, ainda não tenha entrado em cartaz no Brasil. Campanhas foram criadas por cinéfilos, e muitas pessoas começaram a defender que simplesmente lançassem-no direto em DVD, desde que tivessem a oportunidade de assistir a, até pouco tempo, nova obra de Tarantino. Pois bem, como todos sabem, Bastardos Inglórios chegou aos cinemas brasileiros, e nada de À Prova de Morte. É difícil entender, principalmente porque trata-se de um filme que, se não é um blockbuster, tem, indubitavelmente, um bom potencial de bilheteria - basta ver o êxito comercial de Bastardos. E o mais lamentável é que, além de ser o trabalho de um diretor reconhecidamente talentoso e sempre original, este é verdadeiramente um ótimo filme - ainda que seja, provavelmente, o "menos bom" do cineasta nessa década, que teve, além de Bastardos Inglórios, os dois volumes de Kill Bill.
Em primeiro lugar, À Prova de Morte é consideravelmente superior ao longa de Rodriguez. Enquanto aquele exagerava na tosqueira para contar sua história de zumbis, Tarantino aposta na sua capacidade de criar diálogos memoráveis, e seu filme é quase totalmente estruturado a partir das conversas entre seus personagens - e a fluência acelerada desses diálogos, o brilhantismo absoluto de alguns deles, parece exigir bastante de um elenco impecável, com destaque para Rose McGowan (que também roubara a cena em Planeta Terror) e para um inspirado Kurt Russell, que cria um vilão impagável, repulsivo e adorável ao mesmo tempo, e difícil de esquecer (é uma interpretação digna de prêmios, mas como geralmente filmes como esse não costumam ser considerados para tais, o show de Russell acabou passando batido para muitos). Quando parte para cenas de ação, no entanto, a qualidade não cai. São duas maravilhosas perseguições de carro, eletrizantes, violentas e irresistivelmente divertidas. A brutalidade da primeira, filmada com um misto de realismo e exagero que só Tarantino consegue dosar corretamente, é complementada pela tensão da segunda, que leva ao final deliciosamente catártico de À Prova de Morte. Diz-se que downloads não autorizados de filme é crime. Sinceramente? Crime é não permitir que uma obra como essa seja assistida, seja qual for o motivo misterioso dessa falta de respeito.

6 comentários:

thespotlessmindofwally disse...

Muito superior à "Planeta Terror", não entendo seu ineditismo no Brasil. Belo filme de Tarantino que vi, claro, ilegalmente.

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Cristiano Contreiras disse...

Confesso ter me atraído muito mesmo a premissa do filme, vou ver se baixo aqui e comento contigo melhor, tá?

Gosto de Tarantino, mas é um absurdo eu não conhecer, ainda, toda sua obra.

Abraço e aparece!

Diego Rodrigues disse...

Muito bom. Tarantino em sua melhor forma. Não é melhor do diretor, mas ainda assim diverte - e muito. :D

Não é possível como um filme desses fica fora de circuito por praticamente quatro anos desde a época do seu lançamento. Não é!

Hugo Leonardo disse...

Acho este o pior Tarantino, o que não é pouco coisa, ainda é melhor do que muita coisa ai. E o não lançamento do filme é realmente inexplicável.

Rafael Carvalho disse...

Tarantino só pode ser um gênio, o cara acerta sempre. Que porra!!!!

O melhor desse filme é todo o ar de despretensão das histórias, mais a favor da sensação do que do sentido puramente. E o cinema dele é assim, todos os diálogos convergem para o mais importante que é a construção e desenvolvimento de seus personagens.

Além disso, Tarantino filmando velocidade é adrenalina pura. As cenas do personagem do Kurt Russel perseguindo as moças e depois sendo perseguido são sensacionais. Mas, convenhamos, a dancinha erótica é show de bola! Uhhhu!!!

Só não concordo com uma coisa: que esse filme seja superior ao longa do Rodriguez. Acho que, por mais que faça parte de um mesmo projeto, ambos os filmes são diferentes em tom, e a atmosfera trash do filme do Rodriguez é uma delícia com todas as suas brincadeirinhas esquisitas. A personagem de Rose McGowan, com aquela metralhadora no lugar da perna é foda demais! Se não fosse por Sin City, esse seria o melhor filme do Rodriguez.

Wallace Andrioli Guedes disse...

McGowan está genial nos dois filmes. Mas acho PLANETA TERROR apenas um bom filme, uma idela legal filmada por alguém apenas razoável... se fossem os dois filmes do Tarantino, acho que seria outra história...