sábado, 4 de julho de 2009

[loki - arnaldo baptista]

Loki - Arnaldo Baptista
Loki - Arnaldo Baptista, 2008
Paulo Henrique Fontenelle


Arnaldo Baptista é, assim como Wilson Simonal, protagonista de outro recente documentário, mais um músico de imensa importância na música popular brasileira que é redescoberto graças ao cinema. É lógico que as trajetórias dos dois são muito diferentes, o que faz com que o tom dos filmes seja também diverso (enquanto em Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei, havia um forte sentimento de culpa, uma tentativa de reparar o passado e resgatar o cantor, em Loki, há um tom otimista de recomeço, até pelo fato de Arnaldo Baptista estar ainda vivo, e recuperando-se de todos os percalços de sua vida), mas ambos tiveram suas carreiras quase que completamente destruídas, em muito por suas próprias atitudes, e acabam sendo, agora, recuperados, e novamente valorizados.
O curioso é que a vida de Baptista, muito menos controversa do que a de Simonal, gere um filme bastante superior ao documentário de Cláudio Manoel, Micael Langes e Calvito Leal. Sem grandes polêmicas políticas para tratar, o diretor Paulo Henrique Fontenelle mergulha numa atmosfera intimista (próxima à do disco que dá título ao documentário), nas angústias pessoais de Baptista, e acaba entregando um retrato tocante e delicado de um homem derrotado pelos excessos (de amor, de drogas), mas que possui uma relevância musical que provavelmente a maioria de nós, brasileiros, não somos capazes de mensurar (e, nesse sentido, a idolatria aos Mutantes e à Baptista no exterior mostrada por Fontenelle é sintomática, com alguns ingleses chegando a declará-los melhores do que os Beatles!). Loki é uma grande homenagem à Arnaldo Baptista, e, no caminho, acaba sendo também um pedido de desculpas do músico àqueles que ele acabou por magoar, especialmente sua ex-esposa e companheira musical Rita Lee. O relacionamente do casal, aliás, se torna um dos pontos mais instigantes, e emocionantes, do filme, já que parece haver ali um ressentimento absurdamente grande, que faz com que Rita se recuse tanto a dar qualquer entrevista sobre Baptista ou sobre esse assunto, quanto a reunir-se novamente com sua antiga banda - e sua ausência é profundamente sentida em Loki. E o pedido de desculpas de desculpas de Baptista a ela é de cortar o coração.
Outro ponto que trabalha a favor do filme é a própria figura do seu protagonista. Os efeitos do uso prolongado de drogas e, principalmente, de uma tentativa de suicídio sobre Arnaldo Baptista fazem com que ele surja na tela como um homem extremamente fragilizado, algo ressaltado por seu modo de falar, quase infantil. É difícil não se apaixonar por aquele sujeito, não se encantar por sua história e sua obra, e não ficar aliviado pelo fato de ele ainda estar vivo, e, novamente, feliz (e trabalhando, com música e pintura). Ver Baptista falando, especialmente após conhecer sua trajetória, gera uma irresistível vontade de se aproximar dele, abraçá-lo, e agradecê-lo não só por tudo que fez pela música, mas principalmente pela lição de vida que é a sua própria vida. Arnaldo Baptista mora, atualmente, em Juiz de Fora, minha cidade. Quem sabe não concretizo esse desejo qualquer dia desses?

4 comentários:

Rafael Carvalho disse...

Bem, quando o assunto é filme nacional recente preciso esperar para ver em DVD. Esse e Jean Charles estão na minha lista. Interessante que passei a procurar algumas coisas do Baptista para ouvir depois de tomar conhecimento sobre esse filme e por muita gente tê-lo elogiado.

Bruno disse...

Conheço tão pouco sobre Arnaldo Baptista, que acho que será intrigante pra mim descobrir que ele foi/é tão importante assim pra música brasileira. Mas sobre o documentário em si, pelo seu texto parace que o filme é bastante cativante, fiquei bastante curioso. Ah, e, pô, se ele mora aí em Juiz de Fora, com certeza vale uma visitinha, ainda mais tendo em vista que a história dele te fascinou tanto assim, né? Depois posta as fotos por aqui, hehe. Abraço!

Diego Rodrigues disse...

Tenho muita curiosidade com este documentário. Arnaldo Baptista é um músico que admiro, apesar de tudo.

Tem um selo pra ti lá no meu blog. Quando puder, dá uma passadinha lá, ok?

Hélio disse...

Perdi esse na Mostra de SP e, assim como o Rafael, só o dvd salva!

Abços!