sábado, 9 de julho de 2016

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi



13 Horas é o filme que muitos enxergaram em Sniper Americano. Se o olhar dúbio lançado por Clint Eastwood para a trajetória de Chris Kyle foi tomado, em análises apressadas, por corroboração do ufanismo primário e do militarismo do biografado, em 13 Horas esses valores de fato estão presentes na forma como Michael Bay conta a história do cerco ao consulado norte-americano na Líbia, em 2012. Não há espaço para sutilezas na abordagem de Bay. Seu filme cultua explicitamente a eficácia da brutalidade militar, em contraposição à vagareza dos burocratas e políticos, incapazes de tomar qualquer decisão acertada. Esse contraste simplista entre ação e política flerta perigosamente com princípios fascistas e, em tempos de eleições presidenciais nos Estados Unidos, soa como ataque direto a Hillary Clinton, Secretária de Defesa na época do ocorrido em Benghazi e frequentemente acusada pelos conservadores de negligência no socorro aos soldados encurralados.

Bay e o roteiro de Chuck Hogan também passam longe de qualquer reflexão, tão cara a Sniper Americano, sobre os efeitos da guerra naqueles soldados: o que está presente aqui é simplesmente a saudade de uma vida ordinária ao lado da família, que é logo suplantada pela consciência de se estar cumprindo um dever patriótico, moralmente superior e necessário. E se Chris Kyle compartilhava dessa mentalidade, o filme de Eastwood sobre o ex-SEAL trata de problematizá-la, registrando o aumento da psicose do personagem conforme ele mergulha mais fundo na guerra e as consequências disso para sua família.

Mas, sinceramente, não penso que o maior problema de 13 Horas seja propriamente ideológico. Se Bay fosse um diretor minimamente competente, talvez seu proto-fascismo não incomodasse tanto. Ao menos estaríamos diante de um bom filme. Mas o que o pai dos Transformers no cinema faz, mais uma vez, é criar uma grande confusão visual e sonora, tentando bater todos os recordes de número de cortes por minuto, o que, crê o diretor, resultaria num filme intenso, envolvente. É verdade que muitos compartilham dessa concepção bayana de ação, não à toa a franquia dos robôs alienígenas gigantes é um grande sucesso comercial, mas, para mim, daí só vem um tédio profundo. Como consigo compreender, sei lá, uns 30% do que acontece na tela, já que tudo é excessivamente frenético, picotado e desconjuntado, já que a câmera de Bay não consegue ficar parada por cinco segundos observando a ação de seus personagens, logo me desinteresso pelos filmes do diretor.

E o pior é que 13 Horas tinha um potencial absurdo para ser um grande filme. Novamente, independente de posições ideológicas, nas mãos de um cineasta com um pouco mais de bom senso, essa história facilmente poderia ser transformada numa experiência carpenteriana da pesada. Algo à lá Assalto à 13ª DP, alicerçado no western clássico (o que Eastwood, aliás, fez em Sniper Americano, ainda que a matriz ali seja mais Rastros de Ódio e menos Rio Bravo, referência principal do cinema de Carpenter), mas com temas e estética modernos. Mas aí cabe perguntar: será que Michael Bay sabe quem é Howard Hawks? Ou John Carpenter?   

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi 
13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi, 2016
Michael Bay

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