terça-feira, 17 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha



Definitivamente, a tarefa de O Espetacular Homem-Aranha não é fácil: reiniciar uma franquia cinematográfica que, encerrada há apenas cinco anos, fincou raízes no imaginário popular, mesmo que seu último filme não seja exatamente um primor de realização. E ainda que o resultado alcançado por Marc Webb, diretor do ótimo (500) Dias com Ela, seja mais que satisfatório, a sombra dos filmes de Sam Raimi parece pairar sobre seu trabalho.

Nesse sentido, por mais que Andrew Garfield seja um ótimo ator e abrace com competência a proposta de apresentar Peter Parker como um adolescente moderno e tímido, Tobey Maguire e seu retrato caricatural, mas cativante, do personagem continuam como referência para o espectador. Por mais que o roteiro de James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves se proponha a ser mais fiel aos quadrinhos, trazendo Gwen Stacy (Emma Stone, num bom desempenho) como o primeiro amor de Parker, o público sente falta da Mary Jane de Kirsten Dunst. Por mais que exista uma tentativa de respeitar uma certa mitologia do Homem-Aranha, trazendo vilões clássicos, interligando-os e deixando pistas para possíveis continuações, pouca gente acredita realmente que Webb conseguirá substituir à altura o Duende Verde de Willem Dafoe e, principalmente, o Dr. Octopuss de Alfred Molina – e a própria composição do Lagarto (Rhys Ifans) como um vilão genérico representado uma ameaça genérica ao herói e à cidade de Nova York alimenta essa descrença. 

Conclusões possíveis: ou Raimi e Maguire criaram algo verdadeiramente icônico, difícil de ser esquecido e superado (o que não é nenhum absurdo de se pensar quando levamos em conta apenas os dois primeiros filmes da trilogia); ou simplesmente ainda é cedo demais para o cinema recontar a história do Homem-Aranha. Não que a Marvel – interessada tanto em retomar uma franquia lucrativa por si só quanto em trazer de volta um de seus maiores personagens para provavelmente inseri-lo numa continuação do megassucesso Os Vingadores – se importe realmente com isso.

O Espetacular Homem-Aranha 
The Amazing Spider-Man, 2012
Marc Webb

domingo, 8 de julho de 2012

[deus da carnificina]


Deus da Carnificina 
Carnage, 2011
Roman Polanski


Roman Polanski era mesmo a escolha mais óbvia para dirigir um projeto como essa adaptação da peça Dieu du Carnage, de Yasmina Reza. Afinal, o diretor franco-polonês já demonstrou ser capaz de explorar magnificamente espaços fechados em sua célebre "trilogia do apartamento" e no ótimo A Morte e a Donzela. Por isso, é uma pena que Deus da Carnificina não seja o filme memorável que prometia ser. Provavelmente a culpa nem é tanto de Polanski - que faz seu trabalho com competência, comandando um cast talentoso em atuações cruas e carregadas de ironia -, mas do próprio texto adaptado.
Isso porque, por mais que todo o processo de ruptura com as convenções sociais vivido pelos quatro personagens funcione muito bem na tela, o filme peca justamente ao interrompê-lo quando começava a ganhar contornos mais explosivos. Assistir a John C. Reilly e Jodie Foster deixar de lado as aparências de casal médio americano feliz e lavar a roupa suja na frente de estranhos; ou a Christoph Waltz (mais uma vez encarnando uma figura extremamente sarcástica) e Kate Winslet se ofendendo mutuamente sem pudores, é um verdadeiro prazer - talvez meio sádico, é verdade. No entanto, por encerrar sua narrativa antes que coisas mais traumáticas aconteçam, Deus da Carnificina perde a chance de ser um novo Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, para tornar-se apenas um bom exercício de direção de atores. Levando-se em conta os envolvidos no filme, seria de se esperar muito mais.